Como Um Feixe De Juncos – A Nação Em Missão, Parte 1

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 4: Uma Nação em Missão

O Papel do Povo Judeu

“Abraão foi recompensado com a bênção de ser como as estrelas dos céus, Isaac, a bênção da areia e Jacó, como a poeira da terra, pois os filhos de Israel foram criados para corrigir o todo da Criação”.

Yehuda Leib Arie Altar (ADMOR de Gur),

Sefat Emet [Linguagem da Verdade], Bamidbar [Números]

No fim do anterior capítulo nós perguntamos, “Se tudo está certo, porque há tanta coisa errada no mundo”? E “Se a lei fundamental da vida pode ser conhecida por todos, como tão poucos a conhecem, especialmente agora que estamos numa perda no que tange lidar com as múltiplas crises que engolem a sociedade humana?” Nós dissemos que para responder a essas perguntas, precisamos compreender como o conhecimento da lei se espalha e como os judeus estão relacionados com sua divulgação.

Você pode se recordar que na Introdução, nós estabelecemos que, uma vez que Abraão descobriu que uma única força conduzia o mundo, ele se apressou a contar a seus conterrâneos sobre sua descoberta. Ele não apresentou condições prévias; ele desejava partilhar seu conhecimento recentemente achado com todos. Acontece que, nem seu rei, Nimrod, nem o povo estavam prontos para aceitar a noção de que a força governante da vida era uma força de doação e que sua meta na vida, como dissemos no Capítulo 1, é revelá-la ao ser semelhante ou até igual a ela. Os babilônios do tempo de Abraão estavam muito preocupados em construir sua torre e tentar deificar as leis da Natureza.

Enquanto Abraão vagava pelo que agora é o Oriente Próximo e Médio no seu caminho para Canaã, ele reuniu na sua tenda, a princípio, todos aqueles que eram capazes de compreender suas noções e se comprometer com a autotransformação do egoísmo em doação. Essas pessoas mais tarde se tornaram a nação de Israel, denominada segundo o desejo de alcançar direto o Criador.

Todavia, os quatro níveis da vida (inanimado, vegetal, animal e falante) são uma constante. Eles devem ser atualizados na totalidade, e todos aqueles que fisicamente pertencem ao nível falante também devem, no final, alcançá-lo espiritualmente. O fato de que nem todos os babilônios estavam prontos para se comprometer, a mudar a si mesmos no tempo de Abraão, não muda nada em termos do propósito final para o qual a raça humana existe. Assim, aqueles que estavam prontos e dispostos a se comprometer, se tornaram os “guardiões” do conhecimento, confiados em manter e nutri-lo para a posteridade.

No seu ensaio, “O Arvut (garantia mútua)”, Baal HaSulam escreveu, “[O Criador disse] ‘Vós serei Minha Segulá [remédio/virtude] dentre todos os povos’. Isto significa que vós sereis Meu remédio, e centelhas de purificação e limpeza do corpo passarão através de vós para todos os povos e nações do mundo. As nações do mundo ainda não estão prontas para isso, e eu preciso de pelo menos uma nação com quem começar agora, pois ela será já como um remédio para todas as nações”. [i]

Esta citação, acompanhada das palavras do Rabi Altar, citadas no princípio deste capítulo, “Os filhos de Israel foram criados para corrigir o todo da Criação”, e juntas com as citações abaixo neste capítulo, deixam poucas dúvidas sobre a visão dos líderes espirituais judeus durante as eras a respeito do papel para o qual os judeus existem no mundo.

Quando Moisés conduziu o povo de Israel para fora do Egito, ele pretendia antes de tudo lhes passar a lei que ele mesmo havia aprendido, a lei que Abraão havia aprendido antes dele. Sua meta era terminar, ou pelo menos avançar a missão que Abraão havia começado gerações antes. Rabi Moshe Chaim Luzzatto, o grande Ramchal, escreveu sobre isso, “Moisés desejou completar a correção do mundo nessa altura. Foi por isso que ele juntou a multidão misturada [pessoas egocêntricas, sem desejos corrigidos], pois pensou que assim seria a correção do mundo que será feita no fim da correção… Contudo, ele não teve sucesso devido às corrupções que ocorreram no caminho”. [ii] Apesar das dificuldades, escreve o Rabi Isaac Wildman, “Essa foi a oração e bênção de Moisés para a geração do deserto, que eles fossem o princípio da correção do mundo”. [iii]

Todavia, o mundo não teve desejo de correção. As nações não estavam prontas para abdicar do amor-próprio e abraçar o altruísmo – dar – como sua principal qualidade. Então no entretanto, a nação Israelita continuou a “polir” sua própria correção esperando que o resto das nações estivessem prontas e dispostas. Nas palavras de Ramchal, “Vós deveis saber … que a Criação como um todo não será completada até que o todo da nação escolhida seja ordenada na ordem certa, completada em todas as suas decorações, com a Shechiná [Divindade] aderida a ela. Consequentemente, o mundo alcançará o estado completo. …Devemos chegar a um estado em onde a nação é totalmente complementada em todas as necessárias condições, e o todo da Criação recebe sua completude, e então o mundo será estabelecido permanentemente no estado corrigido. ”97

Segue-se que a nação Israense serve como um canal pelo qual a correção, nomeadamente a qualidade de doação, deve alcançar seus recipientes pretendidos: as nações do mundo. Em estilo eloquente e florido, o Rav Kook detalha como ele vê o papel dos judeus a respeito do resto das nações. “Assim que a vocação de Israel, sendo a nação do Senhor, esteja presente e seja completa, aparente, duradoura e ativa no mundo, é um testemunho válido para o mundo por toda a posteridade para complementar a forma da raça humana, a manter suas características, e a elevá-la pelos degraus da santidade adequados a ela… que o Senhor determinou. E uma vez que nossa própria vocação sempre permanece, acompanhando a vocação do todo da Natureza – cuja lei é completar todas as criações e levá-las ao ápice da perfeição – nós devemos guardá-la devotadamente pela vida de todos nós, que é mantida dentro dela, e pelo todo da humanidade e seu desenvolvimento moral, cujo destino depende do destino da nossa existência”. [v]

Como demonstrado na Introdução deste livro, o Rav Kook vai até mais longe ao dizer, “O movimento genuíno da alma Israelense na sua grandiosidade é expresso somente pela sua força sagrada e eterna, que flui dentro de seu espírito. É aquilo que a fez, a faz, e a fará permanecer ainda uma nação que permanece como uma luz para as nações” [vi]

Em seu livro, Ein Ayá [O Olho do Falcão], o Rav Kook acrescenta mais: “Dentro de Israel está uma santidade escondida de elevar o valor da própria vida através da Divindade que está presente em Israel. A alma nacional da Assembleia de Israel aspira ao mais sublime e exaltado, a agir na vida pelo valor mais exaltado e Divino, por esse mesmo valor que fará que nenhuma pessoa seja capaz de questionar, ‘Qual é o propósito desta tal vida?’, tendo visto a glória e a sublimidade da sua agradabilidade e magnificência. Em absoluta completude será ela completada dentro da casa de Israel, e a partir dela, brilhará para a terra e para o mundo inteiro, por uma aliança do povo, por uma luz das nações'”. [vii]

Da mesma forma, Rabi Naftali Tzvi Yehuda Berlin (conhecido como “O TATZIV de Volozin”) escreveu, “Isaías o profeta disse, ‘Eu vos tomarei pela mão e vos manterei; Eu vos darei como uma aliança para o povo, uma luz para as nações’, ou seja, para corrigir a aliança, que é a fé, para cada nação. Eles jogarão fora a fé em ídolos e acreditarão em um Deus. Certamente, a aliança com Abraão nosso Pai foi assinada sobre essa questão”. [viii]

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut [Garantia Mútua]”, item 28 (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 397.

[ii] Rav Moshe Chaim Luzzatto (Ramchal), O Comentário do Ramchal na Torá, Bamidbar [Números].

[iii] Yitzhak Hever Wildman, Beit Olamim [A Casa Eterna] (Varsóvia, 1889), 130a.

[iv] Rav Moshe Chaim Luzzatto (Ramchal), Ensaio dos Princípios, (Oybervisha (Felsövisó) Romênia, 1928), 15. Fonte online: http://www.hebrewbooks.org/33059

[v] Rav Isaac Abraham HaCohen Kook (Raaiah) (apareceu em HaPeles , uma revista rabínica, Berlim, Alemanha, 1901) (A. A vocação de Israel e a Sua Nacionalidade, capítulo 1, p 26).

[vi] HaRav Avraham Yitzchak HaCohen Kook, Letras do RAAIAH 3, 194-195.

[vii] Rav Isaac Abraham HaCohen Kook (Raaiah), Ein Ayah [Olho do Falcão], Shabbat 1, p 188.

[viii] Rabbi Naftali Tzvi Yehuda Berlin (O NATZIV de Volozin), Haamek Davar [Mergulhar Profundamente na Matéria] sobre Devarim [Deuteronômio], Capítulo 27: 5

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