Como Um Feixe De Juncos —Pluralmente Falando, Parte 2

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

O Impulso Pela Superioridade

No Capitulo 2 nós apresentamos as palavras de nossos sábios a respeito dos desejos fundamentais e a base da Criação, e os quatro níveis que perfazem o desejo de receber. Abreviadamente, dissemos que a realidade consiste de um desejo de doar prazer e um desejo de receber. Aprendemos desses sábios que o desejo de receber prazer está dividido em quatro níveis, conhecidos como “inanimado”, “vegetal”, “animal” e “falante”. Contudo, ele ainda é essencialmente um desejo que veste uma roupa diferente em diferentes níveis de desenvolvimento.

Por exemplo, o desejo mais básico da existência é o de sustentar a si mesmo. No nível humano, esse desejo apareceria como estar contente com um abrigo, seja esse até uma pequena cabana, e o meio para se manter aquecido, vestido e alimentado. Este é o nível inanimado do desejo. Tal como os materiais inanimados que mantêm seus átomos e moléculas juntos, mas fazem muito pouco além disso, tal pessoa só desejará sustentar a si mesma, aparentemente “mantendo seus átomos e moléculas juntas” e muito pouco além disso.

No nível vegetal do desejo, a pessoa desejará sustentar a si mesma no mesmo nível que todos os outros. Como todas as plantas de certo tipo florescem e murcham ao mesmo tempo, tal pessoa desejará fazer o mesmo que todos na sua cidade ou aldeia ou seguir a última tendência vista na TV.

Se todos são pobres, essa pessoa não se sentirá pobre enquanto seu padrão de vida estiver em pé de igualdade com aquele do ambiente social. E se a nova tendência em roupa for usar o sapato esquerdo no pé direito, e vice-versa, a pessoa do nível vegetal estará mais confortável ao usar o sapato errado no pé errado, desde que esteja alinhada com a tendência prevalecente na moda.

A pessoa do nível animal difere da do nível vegetal onde ela procura buscar uma expressão própria. Tal pessoa não se interessa mais em ser como todas as outras, mas precisa estabelecer a sua individualidade. Para a maioria, este nível conduz à criatividade aumentada e distinção no assunto da escolha da pessoa.

O nível falante (humano) é o mais complexo e enganador. Aqui não basta se expressar. Neste nível, o desejo é ser superior. Este é o desejo que faz as pessoas desejarem ser reconhecidas como especiais, até únicas. Em outras palavras, nesse nível nós constantemente nos comparamos aos outros.

Além do mais, hoje nós não nos contentamos em ser os melhores em algo, almejamos ser os melhores sempre. Pense nas estatísticas desportivas sobre as quais escutamos constantemente: a ambição de Michael Phelps de quebrar o recorde de Mark Spitz de sete medalhas de ouro em natação nos Jogos Olímpicos de 1972, ou os jogadores de basquetebol se compararem a Michael Jordan, ou o impulso de Roger Federer de continuar vencendo títulos do tênis, embora já tenha ganho mais torneios Grand Slam que qualquer outro antes dele. Todavia, ele ainda fica incomodado com o fato de não ter vencido uma medalha de ouro Olímpica.[i]

Os esportes podem ser um exemplo notável, mas certamente não é a exceção, mas sim a norma. O filme que ganhou mais dinheiro na sua primeira semana, o álbum que vendeu mais cópias, a empresa que vende mais telefones/computadores/automóveis: competição e comparações estão por todos os lados. Pergunte a um estudante do ensino médio, “Você vai bem na escola?” E provavelmente vai obter uma resposta dentro das linhas de, “Eu estou entre os 5% melhores da minha turma” (assumindo que você perguntou a um bom estudante). Assim, ser bom já não é o suficiente; a superioridade se tornou  o lema de nossas vidas. A isso chamamos de “ser alguém”. Ser eu mesmo, não é bom o suficiente, se não sou alguém, sou ninguém.

Há um conto Chassídico sobre o Rabi Meshulam Zusha de Hanipol (Anipoli), irmão do reconhecido Rabi Elimelech de Lizhensk, um dos fundadores da Chassidut. Rabi Zusha costumava dizer, “Quando eu for para os céus, se me perguntarem, ‘Porque não foste tu Elimelech (o irmão estimado de Zusha), eu saberei o que dizer. Mas se me for perguntado ‘Porque não foste tu Zusha’, eu não saberei o que dizer”. [ii] A moral é clara: seja você mesmo e atualize o seu potencial; isto é o que você precisa fazer na vida.

Mas o Rabi Zusha viveu no século XVIII. Hoje, tal moral seria inaceitável porque o que importa é não quem você é, mas quem você é em comparação aos outros, sua posição na percentagem divisória das classes. Quando o principal lema na sociedade é tão alienante e antissocial, não é de se admirar que nossa sociedade esteja se desmoronando.

[I] “Roger Federer: Possibilidade dos Jogos de 2016”, Associated Press, 26 de julho de 2012, url: http://espn.go.com/olympics/summer/2012/tennis/story/_/id/8202865/roger-federer-leaning-competing-rio-2016-body-holds-up.

[Ii] Escola de Educação Cultural, Programa Be’eri, Instituto Hartman Shalom, 26 de junho de 2011. url: http://www.school.kotar.co.il/KotarApp/Viewer.aspx?nBookID=98518913#24.9572. 4.fitwidth. url: http://medaon.org/files/zehutariel.pdf.

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