Como Um Feixe De Juncos – Dispensáveis, Parte 2

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 6: Dispensáveis

Antissemitismo Contemporâneo

Os Escritos na Parede

Todavia, no começo do século XX, os judeus haviam se afastado tanto da sua pretendida vocação que eles se tornaram ou totalmente preocupados com a meticulosa observação dos mandamentos práticos, esquecendo-se e rejeitando seu significado interno, ou totalmente absortos em desejos mundanos e materiais, esquecendo-se ou rejeitando sua vocação irrevogável. Num tempo em que o egoísmo atingiu níveis que ameaçaram a paz mundial, nenhuma das vias era desejável, e alguns dos grandes líderes espirituais da nação começaram a alertar que o tempo era fugidio, que tínhamos que despertar para nossa missão e realiza-a antes que a calamidade se revelasse.

O grande acadêmico humanista, e Cabalista, Rav Avraham Yitzhak HaCohen Kook, desesperadamente tentou alertar os judeus do crescente antissemitismo. Ele alertou-os que nenhum país no mundo seria seguro para eles, e que Israel era a única opção segura. Em retrospectiva, o conteúdo de sua premonição é alarmante, nos dando um vislumbre nas profundezas da clareza de visão de tais pessoas.

O tratado no qual ele suplicou aos Judeus que viessem para Israel foi chamado, “O Grande Chamamento para a Terra de Israel”. Tome nota não só de seu pedido, mas também do seu aviso a respeito do futuro possível dos judeus nas suas pátrias: “Venham para a terra de Israel, doces irmãos, venham para a terra de Israel. Salvem suas almas, as almas de suas gerações, e a alma de nossa nação inteira. Salvem-na da desolação e do esquecimento; salvem-na da decadência e degradação; salvem-na da sujeira e maldade, de cada problema e peste que possa recair sobre todos os países das nações sem exceção.

“‘Venham à terra de Israel’! Clamaremos com alta e terrível voz, com o som do trovão e uma grande voz, uma voz que agita tempestade e abala os céus e a terra, uma vez que rasga cada parede no coração. Corram por vossas vidas e venham para a terra de Israel. A voz do Senhor nos chama, Sua mão está esticada para nós, Seu espírito está nos nossos corações, e Ele nos reúne, encoraja e impele a clamar alto com uma terrível e poderosa voz: ‘Nossos irmãos, filhos de Israel, queridos e amados irmãos, venham para a terra de Israel. Reúnam-se um a um, não esperem palavras e ordens formais; não esperem permissões dos reconhecidos. Façam o que puderem, fujam e reúnam-se, venham para a terra de Israel. Pavimentem o caminho para nossa amada e oprimida nação. Mostrem-lhe que seu caminho já está pavimentado, esticado perante ela. Ela não deve repousar, ela não tem nada que exigir; ela não tem muitos caminhos e rotas. Há um caminho perante ela, e este é aquele em que ela marchará; é aquele que ela deve marchar, especificamente para a terra de Israel’”. [i]

O Rav Kook não estava só na sua preocupação. Na Polônia, um brilhante e jovem dayan (juiz ortodoxo) em Varsóvia – no tempo da maior e mais proeminente comunidade Judaica na Europa – Rav Yehuda Ashlag, que mais tarde se tornou um comentador reconhecido do Livro do Zohar, não se contentou apenas em anunciar publicamente que todos os judeus deviam fugir da Europa. Ele organizou a compra de 300 cabanas de madeira da Suécia e um lugar para elas serem erguidas na Terra de Israel (que era chamada de “Palestina”).

Mas eis que seu plano foi impedido pela oposição dos líderes da congregação judia na Polônia. A consequência trágica do fracasso de Ashlag de trazer seus companheiros judeus com ele foi de todos os judeus que contemplaram vir com Ashlag, somente Ashlag e sua família emigraram no final. O resto das famílias permaneceu na Polônia e pereceu no Holocausto. [ii]

Tanto o Rav Kook e o Rav Ashlag (Baal HaSulam) exprimiram como percebiam a ascensão do Nazismo ao poder, especificamente Hitler. Tenham em mente que o Rav Kook morreu em 1935, quatro anos antes que a 2ª Guerra Mundial irrompesse. Abaixo estão as palavras editadas de Rav Kook (para torna-las mais amigáveis ao leitor, devido ao tamanho do texto e seu estilo anacrônico), seguidas das palavras de Baal HaSulam.

O profeta previu um grande Shofar da redenção. [Um Shofar é um chifre de carneiro usado para o sopro festivo, mas também um clarim]. Nós oramos especificamente pelo sopro do grande Shofar. Há vários graus num Shofar da redenção – um grande Shofar, um Shofar médio e um pequeno Shofar. O Shofar do Messias é considerado o Shofar de Rosh Hashaná [A Noite do Fim de Ano Judaico]. A Halachá [Lei Judaica] distingue três graus no Shofar de Rosh Hashaná: 1) Um Shofar de Rosh Hashaná que é feito de um chifre de carneiro; 2) Em retrospectiva, todos os Shofarot são kosher, 3) Um Shofar de uma besta impura, bem como um Shofar de bestas de idolatria de um gentio não-kosher. Contudo, se um homem soprou tal Shofar, fez o seu dever.

É permitido soprar qualquer Shofar, kosher ou não, desde que a pessoa não abençoe sobre ele, e os graus explicados na lei do Shofar de Rosh Hashaná coincidam com os graus do Shofar da redenção.

Todavia, o que é um Shofar da redenção? Pelo termo, “Shofar do Messias”, nós nos referimos ao despertar e à confiança que causa a reanimação e redenção do povo de Israel. É este despertar que reúne os perdidos e rejeitados, e os leva à montanha da santidade em Jerusalém.

Durante as gerações, houve aqueles em Israel que sentiram o despertar que deriva do desejo de fazer o desejo de Deus, que é a redenção completa de Israel [levar todos de Israel à qualidade de doação]. Este é o delicado e grande Shofar, o desejo do povo de ser redimido.

Às vezes, o desejo esmorece e o zelo pelas noções sublimes da santidade não é tão fervente. Contudo, a natureza humana saudável permanece e desencadeia um simples desejo na nação de estabelecer seu governo na sua terra. Esse desejo natural é o Shofar médio, comum, que está presente em todo o lugar. Esse, também, ainda é um Shofar kosher.

Porém, há um terceiro grau ao Shofar do Messias, que é comparável ao Shofar de Rosh Hashaná: ele é o Shofar pequeno, não-kosher, que é soprado somente se um Shofar kosher não puder ser encontrado.

Assim, se o zelo pela santidade e o anseio pela redenção que derivam dele desapareceram por completo, e se o desejo nacional natural por uma vida nacional também diminuiu, e nenhum Shofar kosher se encontre com o qual soprar, os inimigos de Israel vêm e sopram nos nossos ouvidos pela nossa redenção. Eles nos forçam a escutar a voz do Shofar; eles alertam e chocalham nos nossos ouvidos, e não nos dão repouso no exílio.

[Esta parte está citada em completo]. “Assim, o Shofar da besta imunda torna-se o Shofar do Messias. Amaleque, Petlura [Líder Ucraniano suspeito de ser antissemita], Hitler, e assim por diante, despertam para a redenção. Aquele que não escutou a voz do primeiro Shofar, ou a voz do segundo… pois seus ouvidos estavam bloqueados, escutará a voz do Shofar impuro, o imundo [não-kosher]. Ele escutará contra sua vontade… Embora exista redenção nesse chicote, também, nos apuros dos judeus, a pessoa não deve abençoar tal Shofar. [iii]

Baal HaSulam também fez várias referências ao Nazismo, incluindo como ele acreditava que este podia ser derrubado. Em suas palavras, “É impossível derrubar o Nazismo senão através de uma religião de altruísmo”. [iv] Observe que quando Baal HaSulam fala de “religião de altruísmo”, ele não quer dizer que devemos realizar certos rituais ou observar determinadas condutas.  Pelo contrário, com “religião de altruísmo” ele pretende dizer que a pessoa mudou a sua natureza para aquela do altruísmo. Ao mesmo tempo, as pessoas escolherão se ficam ou não nas suas denominações formais, independentemente desta transformação.

Baal HaSulam também disputa a noção de que a Alemanha Nazista foi um evento único na história. Este pode ter sido o primeiro, mas ele acreditava que a menos que façamos o que devemos, não será o último. Nas suas palavras, “Acontece que as pessoas pensam erradamente que o Nazismo é apenas um rebento da Alemanha… todas as nações são iguais nisso, e é totalmente fútil esperar que os Nazitas pereçam com a vitória dos Aliados, pois amanhã os Anglo-Saxões abraçarão o Nazismo”. [v]

À Luz do pico no antissemitismo a nível mundial, seria sábio considerar seriamente as palavras destes homens sábios. Afinal, nós certamente podemos ver que o antissemitismo não desapareceu, nem o Nazismo ou o chamado para se livrar dos judeus.

[i] Rav Yitzhak HaCohen Kook (o Raiah), Ensaios do Raaiah , vol. 2, “Ao Grande Chamado à Terra de Israel”, 323.

[ii] Aaron Soresky, “O ADMOR, Rabino Yehuda Leib Ashlag ZATZUKAL – Baal HaSulam: 30o Aniversário da Sua Partida”, Hamodia, 9, Tishrey, TASHMAV (24 de Setembro de 1985).

[iii] Rav Avraham Yitzchak HaCohen Kook (o Raaiah), Ensaios do Raaiah , vol. 1, pp 268-269.

[iv] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “Os Escritos da Última Geração” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 853.

[v] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “Os Escritos da Última Geração” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 841.

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