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O Livro De Ester: Punição Coletiva

Dr. Michael LaitmanPor centenas de anos nós temos tentado organizar uma vida normal nos países em que vivemos, mas as circunstâncias constantemente nos forçaram a voltar à realização da unidade. O exemplo mais claro disso é a história de Purim.

Os judeus foram espalhados por todo o império babilônico, e com o tempo começaram a esquecer a sua missão. Eles simplesmente queriam ser como todos os povos da Babilônia e viver como todo mundo, mas uma série de eventos os colocou em perigo de aniquilação.

Tudo começou com um judeu chamado Mardoqueu que vivia na capital de Susan. Sua protegida Ester, por ocultar sua origem, foi levada ao palácio e se tornou a rainha.

Houve um tempo em que Mardoqueu expôs uma tentativa de assassinar o Rei, e por esta ação, ele salvou a vida do rei, mas não mereceu uma expressão de agradecimento e gratidão. Além disso, em vez de Mardoqueu, o rei promoveu Hamã e promoveu-o como ministro sobre todos os ministros e instruiu todos os seus súditos a curvar-se diante dele.

E isso é o que todo mundo fez, exceto Mardoqueu. Hamã ficou furioso, cheio de raiva, e por isso decidiu aniquilar todos os judeus. Ele informou ao rei que havia um povo espalhado e separado em seu reino que não aceitava as ordens do rei, então eles tinham que ser aniquilados.

Do Folheto sobre o Feriado de Purim, 03/2015

O Livro De Ester É Nossa Herança Espiritual

Dr. Michael LaitmanO Livro de Ester 3: 8: Então Hamã disse ao rei Xerxes (Assuero): Exis­te certo povo disperso e espalhado entre os povos de todas as províncias do teu império, cujos costumes são diferentes dos de todos os outros povos e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los. A unidade foi sempre a base e o fundamento do povo judeu, e a força que não os deixou se dissolver no exílio.

Há um destino maravilhoso para esta unidade, e no início dela estava Adão, o primeiro homem a subir acima de si mesmo.

Herança Espiritual

Adão lançou as bases para a história espiritual da humanidade. Ele foi o primeiro entre todos os seres humanos que ascendeu acima das propriedades do ego e do amor próprio ao nível mais elevado do amor ao próximo. Nesta característica superior ele descobriu o mundo superior, um mundo fora de si mesmo e fora do seu ego.

Seus alunos continuaram a elevação espiritual de Adão, e com a passagem de 20 gerações, esta cadeia atingiu a antiga Babilônia, que foi o berço da civilização atual.

Abraão viveu aqui e continuou o caminho de Adão. Depois de reunir pessoas dentre os babilônios que possuíam uma visão idêntica, Abraão foi com eles à terra de Israel, a fim de dar ao mundo inteiro um exemplo de unidade real. A continuação deste grupo tornou-se o mesmo grupo que ainda assombra a humanidade.

Assim, o povo judeu não surgiu inicialmente numa base étnica, mas ideológica. Nossos ancestrais tomaram uma ideia ao longo da história da humanidade, e ela sozinha determina o nosso caminho comum: o caminho para a unificação universal da humanidade.

Com a passagem de quase 1000 anos depois de deixar a antiga Babilônia, nós caímos do nível do amor ao próximo para o do egoísmo crescente, e, com isso, mais uma vez nos encontramos na mesma Babilônia, e no exílio.

Do Folheto sobre o Feriado de Purim, 03/2015

Sentidos Do Grupo

laitman_938_04Nosso avanço no mundo moderno é diferente do que era no passado, visto que não há necessidade de lutar por alimentação, abrigo, cuidados de saúde, e assim por diante. Nós já organizamos as condições necessárias para a nossa existência física. Portanto, os golpes virão da conexão errada entre nós, da sociedade e das disputas nacionais.

Basicamente, as deficiências não serão mais físicas; não será uma sensação de fome ou desconforto, mas uma sensação de peso e vazio na vida, que as pessoas vão tentar suprimir com drogas e álcool. A vida vai se transformar numa direção completamente diferente, se não começarmos com a correta educação e formação.

O problema é que a pessoa não vê a meta a sua frente.

Pergunta: Quais objetivos estarão a nossa frente no novo mundo?

Resposta: Para ver isso, há a necessidade de um novo sentido: um sentido do “grupo”. Este sentido será descoberto como resultado da conexão entre as pessoas. Nós estamos entrando num estágio de desenvolvimento tal que não podemos ver qualquer meta adequada diante de nós, se não nos provermos com o grupo ou sentidos sociais.

Eu devo observar as coisas não através dos meus olhos, mas através dos olhos do grupo; devo ouvir não com os meus ouvidos, mas com os ouvidos do grupo. É necessário criar a imagem de uma pessoa formada de uma multidão de pessoas ansiando em se conectar juntas em algum tipo de todo. Eu começo a ver a vida, suas metas e os meios para atingi-las, através desta imagem coletiva. Tudo é somente através deste sentido coletivo.

Pergunta: Será que todas as metas pessoais permanecem para mim?

Resposta: A metas pessoais permanecerão apenas no caso de que estejam incluídas nas metas do grupo. Eu não posso realizá-las aparte dos outros. A meta pessoal só pode existir dentro do grupo e pode ser alcançada por meio da participação em grupo.

Pergunta: Mas o grupo não é composto por indivíduos?

Resposta: As pessoas individuais vão desaparecer dentro de um grupo que tem uma meta comum. É claro que todo mundo vai estar preocupado com o que é fundamental para sua existência: sua casa, sua família. No entanto, se nós estamos falando da meta da vida pela qual a sua alma anseia e pela qual ela direciona todos os seus pensamentos, aspirações e anseios, o objetivo será dentro do grupo.

Afinal, uma pessoa vai alcançar a vida numa dimensão mais elevada através do grupo. Ela vai começar a diferenciar entre a vida sentida pelo corpo físico e a vida que é sentida pela conexão com os outros, ou seja, através da alma. Esta é uma vida completamente diferente num nível totalmente diferente de existência, com outras metas, realizações, e poderes.

Assim como um gato não pode entender uma pessoa, neste momento também não somos capazes de compreender esta imagem comum que todos nós construímos juntos quando nos conectamos corretamente.

De KabTV “Uma Nova Vida” 29/04/14

Um Pequeno Ser Humano Já Está Crescendo Dentro De Você

laitman_276_02Nosso trabalho não termina quando alcançamos a adesão com o Criador. No momento seguinte, vamos estar num estado quebrado novamente. Depois que transcendemos o Machsom (barreira) e alcançamos a adesão com o Criador, nós caímos novamente e sentimos ódio, rejeição e decepção; de outro modo, outra correção não seria possível.

Depois do Machsom, a pessoa cai em estados piores do que os que experimentamos hoje. Nosso estado atual é o mais fraco, sem quaisquer altos e baixos reais. Nós estamos simplesmente marchando no mesmo ponto: um milímetro para frente e um milímetro para trás.

Nós somos como bebês que estão sendo plenamente cuidados e que sofrem apenas de coisas muito simples: calor ou frio, e com o gosto incomum dos alimentos. Nesse meio tempo, nós somos como bebês mimados. Mas mais tarde, seremos obrigados a fazer um trabalho sério.

“Tu me cercaste por trás e pela frente…”, tudo vem Dele. Mas eu tenho que descobrir isso. Este é o meu trabalho. Eu tenho que descobrir que o mundo inteiro é a imagem que o Criador tem representado para que eu O descubra através dela, em cada imagem, em cada nuance.

Eu tenho que descobrir o Criador com todas as minhas impressões sobre o mundo. Não há outra maneira de descobrir o Criador, se não houver a ocultação entre nós através da qual posso descobri-Lo. A ocultação tem que se transformar numa revelação como letras pretas em fundo branco.

Portanto, nós temos que ser gratos pelo mau, assim como pelo bem – essas são as letras do nosso trabalho. Experimente e veja que você gradualmente adquire esses sentimentos se fizer esforços.

Mesmo que isso dure 15 anos, não é considerado um atraso em seu desenvolvimento. Afinal, nós sabemos que as crianças pequenas se desenvolvem muito rapidamente nos primeiros anos de sua vida e passam por muitos estados, mas elas não entendem as mudanças que passam e depois não se lembram delas.

Nós também achamos que não acontece nada, mas dentro de nós um pequeno ser humano já está crescendo a partir da gota de sêmen espiritual. No entanto, ele ainda não pode trabalhar com seus vasos conscientemente e este é o estado que estamos chegando agora. A principal coisa que ajuda o nosso amadurecimento rápido é cuidar do público.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/05/14, Escritos do Baal HaSulam

Profissionalismo No Trabalho Espiritual

laitman_249-03Pergunta: Como uma pessoa sente que está realizando um serviço para o Criador, que está estudando o interior da Torá e não se encontra em atividades externas?

Resposta: A diferença entre a Torá externa e seu interior é que a pessoa tenta ver a relação entre ela e o Criador em tudo o que está acontecendo com ela.

O mundo inteiro, os amigos, os sentimentos interiores, todos os tipos de imagens, eventos e situações, esta é a única língua que falamos com o Criador. Se eu começo a me relacionar com a realidade dessa forma, é dito que eu comecei um diálogo com o Criador e me encontro no trabalho interior.

Todo profissional sente seu trabalho de uma maneira primorosa e minuciosa, o que não é compreendido de fora. Se você estiver instalando um ar condicionado num edifício, o consumidor quer que ele funcione e refresque o quarto, mas você está pensando numa infinidade de detalhes e sutilezas, decidindo a melhor forma de fazer isso. Tudo depende do desenvolvimento dos sentidos, da sensibilidade.

Isto porque com cada pedaço de metal você tem uma conexão com um sentido interno e decide fazê-lo desta forma ou de outra. Tudo passa pela linguagem dos sentidos, assim como um violinista sente cada nota que ele toca. Assim, cada especialista sente o material com o qual está trabalhando, não importa o quão grosseiro ele seja.

No trabalho espiritual, também, um sentimento é necessário, o qual é atingido indo-se cada vez mais fundo nele. Nós realmente começamos a senti-lo no nível físico, no corpo, no coração. A substância da criação é o desejo de prazer que percebe tudo no sentimento. A mente só nos ajuda a entender o que estamos sentindo e arranja uma comparação entre fenômenos comparando qualidades, formas e cores.

A mente funciona num sistema duplo como um computador, apenas com zeros e uns: sim/não. Assim, a compreensão só vem com a experiência. A principal coisa é tentar ir mais fundo nas sensações que são relevantes à conexão entre o Criador e nós, e não deixar a mente vagar para coisas externas. Concentre-se principalmente no centro da conexão, o interior da conexão.

Ninguém é tão sábio quanto o experiente. Mas, se trabalhamos num grupo, então estamos integrados uns com os outros, somos estimulados por outros, por suas palavras, por suas perguntas, e avançamos muito mais rápido.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/05/14, Escritos do Rabash

Como Um Feixe De Juncos – Párias, Parte 3

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 5: Párias

As Raízes do Antissemitismo

Dois Caminhos – Um Doce, Um Doloroso

O estado da redenção completa – a realização do Criador por toda a humanidade – é obrigatório. Baal HaSulam diz que há dois caminhos pelos quais nós conseguimos alcança-lo: o caminho da Torá, quando voluntariamente adotamos a lei da doação como nosso modo de vida, ou o caminho do sofrimento, onde a realidade nos impele mesmo assim a adotar Lei da Doação como nosso modo de vida. [i]

Por mais compulsórias que as palavras desses dois sábios contemporâneos possam soar, elas repousam sobre uma base sólida. O Talmude escreve, “Rabi Eliezer diz, ‘Se Israel se arrepender, eles são redimidos. Se não, eles não são redimidos’. Rabi Yehoshua disse-lhes, ‘Se eles não se arrependerem, eles não são redimidos, mas o Senhor colocará sobre eles um rei cujos decretos são tão duros como os de Hamã, Israel se arrependerá, e Ele os reformará’”. [ii]

Até mesmo nessa ocasião importante na base do Monte Sinai, quando coletivamente recebemos a Torá com um espetacular show audiovisual, aparentemente não foi tão alegre ou festivo como foi descrito. O Talmude nos conta que as circunstâncias foram tais que não houve muito mais que pudéssemos fazer senão recebe-la. Na terminologia de hoje, nós diríamos que o Criador nos deu uma oferta que não podíamos recusar: “Está escrito, ‘E eles estavam na base da montanha’. Rav Dimi Bar Hamã disse que isso significa que o Senhor forçou a montanha sobre Israel como um jazigo, e disse-lhes: ‘Se vós aceitais a Torá [Lei da Doação], muito bem, mas se não, lá será vossa sepultura’”. [iii]

Certamente, ninguém disse que é fácil ter a primogenitura. Mas os judeus, os descendentes do clã de Abraão, são precisamente isso. Eles foram os primeiros a alcançar o propósito da Criação; assim, cabe naturalmente a eles conduzir o caminho para o resto da humanidade. Enquanto evitarmos essa tarefa, encontraremos rejeição por todas as nações.

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “A Liberdade” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 420.

[ii] Talmude Babilônico, Masechet Sinédrio, 97b.

[iii] Talmude Babilônico, Masechet Avodah Zarah [idolatria], 2b