O Interruptor Da Percepção

Laitman_131Pergunta: Na sua opinião, qual é o ponto mais difícil da subida para a revelação do mundo superior para o Cabalista novato?

Resposta: O maior desafio, eu diria, é a revolução na compreensão de mim mesmo e do mundo, que acontece em mim quando eu percebo que toda a diferença entre este mundo e o mundo superior está só na minha percepção, a minha atitude em relação ao mundo.

Quando eu me relaciono com isso naturalmente, com o modo que nasci, egoisticamente, o mundo que eu percebo é chamado de “este mundo”.

E uma vez que todas as pessoas o percebem desta forma, chamamos isso de “nosso mundo”.

Quando eu trato o mundo como se ele e eu fôssemos a mesma coisa, com amor e doação, então o mundo que eu percebo e sinto, neste caso, é chamado de “superior”, “espiritual”, e “futuro” no que diz respeito à minha percepção anterior, prévia.

Assim, o entendimento de que há apenas um “interruptor” da percepção, e ele está dentro de você – “os desejos e pensamentos para mim mesmo” é “este mundo”, e “os desejos e pensamentos para os outros” é “o mundo superior” – eu considero esta compreensão a mais difícil na vida de uma pessoa.

É impensável imaginar isso, e sentir isso de modo que se torne “seu” é tão difícil, leva muitos anos, e em minhas observações, dezenas de anos!

Nós podemos fácil e naturalmente imaginar “outro mundo” como existindo fora do nosso mundo, do universo, ou além dos limites de nossa vida, após a morte. É natural imaginá-lo como a Terra, ou sob a forma de outras criaturas e imagens, mas não como o que aparece na minha percepção como os objetos e as pessoas que me rodeiam, como as minhas partes, como partes de mim.

Não podemos aceitar isso mesmo que tenhamos repetidamente ouvido e lido que a diferença entre os mundos está na nossa atitude em relação ao ambiente: em relação a mim – eu sinto este mundo, e longe de mim – eu sinto o mundo superior.

Nós estamos tão acostumados, enraizados na sensação do mundo circundante como uma realidade firme e imutável, que não podemos imaginar que tudo depende da nossa atitude para com ele.

A Cabalá diz que eu percebo o mundo dentro de mim, e que ele não existe fora de mim. Daí, eu “descubro” que tenho que mudar apenas a mim mesmo. Mudar a mim mesmo não significa mudar meus desejos e qualidades, mas a minha atitude para com o mundo, minha intenção, como usá-la, ou seja, usar a mim mesmo e o meio ambiente em relação a mim mesmo (para mim) ou longe de mim (para o bem dos outros).

Eu levei muito tempo para formar esse interruptor dentro de mim. Mas depois que você o sente como existindo, você trabalha com ele. Mudá-lo de “em relação a mim” para “longe de mim” se torna a única coisa importante na vida. O verdadeiro trabalho espiritual começa aqui: auto-análise e ação de correção.

Hoje, esta revolução na consciência acontece no mundo todo; todos devem sentir essa opção dentro de si, e visto que essa percepção ocorre nas massas, será relativamente fácil para cada pessoa.

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