Como Um Feixe De Juncos — Uma Nação Nasce, Parte 3

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 1: Uma Nação Nasce

O Nascimento do Povo de Israel

UNIDADE — E CONSEQUENTEMENTE, IGUALDADE

Hoje, nossa única esperança é nos unirmos, porque a unidade, como veremos abaixo, é a direção da força que conduz toda a vida. Nosso desafio, desta forma, é aprender como nos unirmos. É possível e é plausível, mas num tempo de crises, isso exigirá reconhecer a força da vida e gerar um esforço mútuo para cooperar e colaborar para que possamos viver pelas prescrições desta lei.

Deve ser notado, contudo, que unidade não exige paridade ou semelhança. Em vez disso, ela exige disparidade, sobre a qual nos unirmos. Hoje, por exemplo, há muitas denominações dentro da religião judaica, bem como judeus não afiliados. Unidade judaica significaria que sem mudar nossos costumes, sem convergir para uma única denominação, nos uniríamos e aprenderíamos a valorizar, e, por fim, nos preocuparmos verdadeiramente uns com os outros.

Isso pode parecer impossível, considere uma família com várias crianças. Numa família normativa, cada criança tem sua personalidade única. Mais frequentemente que o contrário, essas personalidades colidem, como nossas memórias das nossas brigas de infância com nossos parentes testemunham. Frequentemente pensamos de nossos irmãos e irmãs em tais termos como, “Se ele/ela não fosse meu irmão/irmã, nunca estaria perto dele/dela”. Mas, precisamente esse fato de que estamos juntos com nosso parente muito diferente prova que quando há amor, podemos nos unir acima das diferenças.

É precisamente o que precisamos fazer: unir-nos acima de nossas diferenças. Desse modo, sentiremos de forma intensa tanto a nossa diversidade, frequentemente qualidades opostas, como a unidade que cavalga acima delas. Quando isso acontecer, seremos capazes de usar nossas diferenças para o melhor, pois cada um de nós contribui com perspectivas, ideias e modos de ação que ninguém mais consegue, formando assim um todo mais forte. Tal como nossos corpos precisam de diferentes órgãos para nos manter saudáveis, nós precisamos permanecer diferentes e nos unir acima das diferenças por uma meta comum de realizar o papel do povo judeu: levar a luz da unidade às nações.

Depois da partida de Abraão da Babilônia, regressando ao nosso tópico anterior, a cidade continuou a cultivar a despreocupação egocêntrica. E embora não haja nada de errado com prazer e diversão, quando é absolutamente egocêntrico, por fim é autodestrutivo. O verdadeiro propósito da vida, Abraão descobriu, é nos tornarmos semelhantes à força singular da vida, experimentar a unicidade com todos. Nossos sábios chamam a essa unidade e unicidade de Dvekut [adesão], e o que pretendem eles dizer com essa palavra e que, no final, nós devemos adquirir as qualidades do Criador e nos tornarmos similares ou até iguais a Ele.

Para citar as palavras de Rabi Meir Ben Gabai, “Sobre a parte da Dvekut [adesão] com as forças do Grande Nome e Suas qualidades, você apega-se ao Senhor seu Deus, pois Ele é Seu nome, e Seu nome é Ele, pois você está relacionado e é semelhante a Ele, e Dvekut com Ele é a verdadeira vida”. [i] Do mesmo modo, o Sagrado Shlah escreveu em Toldot Adam [As Gerações do Homem], “Nossos sábios disseram (Sotah 14a), ‘E vós que vos apegais ao Senhor’, apegai-vos a Suas qualidades, e então ele é chamado Adão [homem], como em, adamé la Elyon [Eu serei como o mais alto]”. [ii]

No século XX, Baal HaSulam elaborou extensamente sobre o termo “Dvekut”, o definindo como “equivalência de forma”, ou seja, adquirir a “forma” (qualidades) do Criador. Na sua “Introdução ao Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, ele escreveu, “Assim, [a alma] será digna de receber toda a abundância e prazer incluídos no Pensamento da Criação, e também estará em completa Dvekut (adesão) com Ele, em equivalência de forma”. [iii]

Na “Introdução ao O Livro do Zohar”, Baal HaSulam acrescenta, “Assim, uma pessoa compra a completa adesão com Ele, pois adesão espiritual é a equivalência de forma, como nossos sábios disseram, ‘Como é possível se apegar a Ele? Em vez disso, apegai-vos a Suas qualidades’”. [iv]

Em tempo, como mencionado acima, o grupo de Abraão tornou-se uma nação, e a necessidade de um novo método de unidade surgiu. Os ensinamentos de Abraão mantiveram-se enquanto todos em Israel podiam ser ensinados. Porém, quando o povo de Israel saiu do Egito, eles atingiram o número de 600.000 homens e cerca de três milhões de pessoas ao todo. Era impossível ensinar a todos da mesma maneira que se aprende de um professor.

A solução foi encontrada na base do Monte Sinai. Lá, nesse ponto crucial da história do nosso povo, o princípio mais fundamental da nossa Torá foi dado, e é dado ainda hoje, a cada dia e a cada momento. Esse princípio, como Rabi Akiva o colocou, é “Ama teu próximo como a ti mesmo”.

Na base do Monte Sinai, explica o grande acadêmico e intérprete RASHI, nós recebemos a Torá, as leis pelas quais temos que nos unir, porque lá concordamos em fazer isso com todo o coração. Nas suas palavras, “E Israel acampou lá: como um homem com um coração”. [v] Desse momento em diante, a unidade tem sido o principal bem do povo Judeu, o meio pelo qual alcançamos o Criador, adquirimos Suas qualidades, e obtemos Dvekut, equivalência de forma (qualidades) com Ele.

O Midrash Tanah De Bei Eliyahu escreve, “O Senhor disse a eles, a Israel: ‘Meus filhos, careci Eu de algo que vos deva pedir? E que vos posso pedir? Somente que vos amais uns aos outros, vos respeitais uns aos outros, e vos temais uns aos outros, e não haverá transgressão, roubo, e feiura entre vós’”. [vi]

Em tempo, a unidade tornou-se tão crucial que substituiu qualquer outro mandamento em termos de sua importância. Ela tornou-se a única chave para a redenção e salvação espiritual de Israel de seus inimigos. O Midrash Tanhumá escreve, “Se uma pessoa pega um feixe de juncos, ela não consegue quebra-los de uma só vez. Mas se ela pega um de cada vez, até uma criança os quebra. Da mesma forma, Israel não será redimidos até que todos sejam um só feixe”. [vii]

No mesmo espírito, Masechet Derech Eretz Zutá escreve, “Assim, Rabi Eleazar ha-Kappar diria, ‘Amai a paz, e desprezai a divisão. Grande é a paz, pois até quando Israel pratica idolatria, e há paz entre eles, o Criador diz, ‘Eu não lhes desejo tocar [magoar]’, como está escrito (Hosea, 4:17), ‘Efraim está junto aos ídolos, deixai-o sozinho’. Se há divisão entre eles, o que se diz sobre eles (Hos, 10:2)? ‘Seu coração está dividido, agora eles carregarão sua culpa’”. [viii]

Todavia, por tudo o que foi dito sobre a importância da unidade, quando olhamos ao nosso redor é evidente que a maioria das pessoas nem deseja se unir, nem encontra qualquer benefício na unidade, certamente não com seus próximos, como o princípio dita. Para compreender como tal princípio se tornou tão supremo para a existência de nosso povo, e agora para o mundo inteiro, nós precisamos examinar a evolução da realidade de um ponto de vista diferente daquele que a ciência frequentemente toma. Nós precisamos olhar para a realidade como uma evolução de desejos. Quando nós virmos a realidade como tal, a razão por trás da proeminência do desejo de se unir, e a consequente aquisição da qualidade do Criador, se tornarão claras como cristal. Desta forma, a evolução dos desejos será o tópico do próximo capítulo.

[i] Rabbi Meir Ben Gabai, Avodat HaKodesh [O Trabalho Sagrado], Parte 2, Capítulo 16.

[ii] Rabbi Isaiah HaLevi Horowitz (O Shlah Sagrado), Toldot Adam [As Gerações do Homem], “A Casa de David”, 7.

[iii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “Introdução ao Prefácio da Sabedoria da Cabalá” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 155.

[iv] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 432.

[v] Rabbi Shlomo Ben Yitzhak (RASHI), The RASHI Interpretação sobre a Torá, “Sobre o Êxodo”, 19:2.

[vi] Midrash Tanah De Bei Eliyahu Rabah, Capítulo 28.

[vii] Midrash Tanhuma, Nitzavim, Capítulo 1

[viii] Ithak Eliyahu Landau, Rabbi Shmuel Landau, Masechet Derech Eretz Zutah, Capítulo 9, itens 28-29 (Vilna: Printer: Rabbi Hillel, 1872), 57-58.

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