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O Feriado Que Não Notamos

Dr. Michael LaitmanTorá, “Levítico”, 23:03: [Por] seis dias realize os seus trabalhos, mas o sétimo dia é dia de descanso e de reunião sagrada. Não realizem trabalho algum; onde quer que morarem, será Shabat dedicado ao Senhor

No mundo material, o sábado vem no final de cada semana. Por isso, psicologicamente falando, nós temos o hábito de não tomá-lo como um estado espiritual.

Na verdade, é a mais poderosa ferramenta para o desenvolvimento. No sétimo dia, Malchut recebe tudo o que foi feito em seis dias, e, se eu não cumprir com os termos do Shabat, não vou subir ou alcançar novos níveis espirituais que já se caracterizam como feriados.

O sábado é como uma volta no trabalho espiritual, e, depois, há outra volta, e mais outra. Depois de certo número de voltas, eu chego a um estágio festivo no qual é impossível ir sem o Shabat.

Portanto, no mundo espiritual, o sábado é o maior feriado. Depois de investir no trabalho, na força sobre o egoísmo, eu chego a um ponto em que todos os estados são realizados em mim e dão frutos.

Neste estado, eu não tenho que fazer nada, mas permitir que a Luz Superior me reforme.

Digamos que eu produzo repetidamente esforços para trabalhar dentro dos chamados seis dias (seis graus), que são Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod e Yesod. Ao juntar seis esforços consecutivamente definidos e claramente desenhados, a sétima força vem de cima, porque eu não era capaz de fazer isso sozinho. Só ela pode fazer a maior Luz, que vem e me muda.

No mundo espiritual, se eu não cumprir essa condição, não vou ser capaz de formar todos os outros estados.

No mundo material, isso pode ser representado na forma de uma pessoa que sempre aspira a algo, e, em algum momento, chega à realização. Em outras palavras, os chamados seis dias podem levar vários anos.

Em essência, toda a vida da humanidade é de sete dias, desde Adão, que primeiro alcançou o sistema de correção espiritual, até a pessoa mais recente na qual o sistema chegará ao fim depois de sete mil anos, onde cada dia é mil anos.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/05/14

Controlar A Realidade Durante A Nossa Vida

Laitman_709Pergunta: Se o mundo é do jeito que eu o percebo em meus atributos, o que vai acontecer com ele quando eu morrer?

Resposta: Nós temos que tentar mudar a realidade antes de morrer. Quando uma pessoa morre, ela é libertada da percepção da realidade em seus sentidos físicos.

Se ela não adquiriu o sentimento de outra realidade até então e não começou a percebê-la de acordo com seu livre arbítrio, ela não tem outra realidade. Por isso, ela tem que voltar a este mundo, ao mesmo estado, e recebe outra chance de alcançar o controle de sua realidade durante sua vida.

De acordo com a sabedoria da Cabalá, se uma pessoa transcende a percepção da realidade dentro de si mesma e tenta estar dentro dos outros, ela começa a ver o mundo através deles, e a imagem que ela vê é chamada de mundo superior. É porque ela vê nos sentidos de doação e não de recepção, através dos olhos do amor, não do ódio.

Comece a subir acima do seu corpo de acordo com a condição do “ama teu amigo como a ti mesmo” e você vai ver uma realidade que é externa a você. Não é o mesmo mundo que você percebe dentro de você com seus cinco sentidos corporais: visão, audição, olfato, paladar e tato. Você sobe acima deles e sente a realidade que é externa a você como ela realmente é, em sua verdadeira forma.

Até então você percebe cada objeto dentro de você da forma como ele é representado por seus sentimentos e emoções, mas se você sobe acima de si mesmo, você transcende os limites do seu corpo e percebe tudo do jeito que é. Isso significa que você sente o mundo espiritual superior.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM 08/02/15

Como Um Feixe De Juncos — Correções Através Das Eras, Parte 4

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 3: Correção Através das Eras

A Evolução do Método de Correção

A Grande Queda, e as Sementes da Redenção

O exílio após a ruína do Segundo Templo derivou do ódio infundado, mas também serviu a um propósito duplo. O primeiro foi que o exílio foi um incentivo para desenvolver mais o método de correção. Uma vez que a Torá de Moisés não era mais suficiente para manter o nível espiritual da nação, era hora de adaptar o método a atual condição do povo – estar em exílio, e ser mais egoísta que durante o tempo de Moisés. O segundo propósito do exílio foi que Israel se misturasse com outras nações, para espalhar o “gene espiritual” pelo mundo, e assim permitir a correção da humanidade inteira, como Abraão pretendia inicialmente.

Por volta da ruína do Segundo Templo, dois corpos seminais foram compostos. Um foi a Mishná, e o outro foi O Livro do Zohar. O primeiro, juntamente com a Bíblia, tornou-se praticamente a base de toda a sabedoria judaica desse dia em diante. O último, por outro lado, foi ocultado pouco depois de ser escrito, e permaneceu escondido por mais de mil anos, até surgir nas mãos de Rabi Moshé de Leon.

Os autores da Mishná, da Gemará e do resto dos escritos de nossos sábios forneceram ao povo exilado de Israel a orientação tanto nos níveis espirituais como físicos. Embora os escritos narrem estados espirituais, eles podem também ser prontamente percebidos como mandamentos físicos.

Como as leis que os nossos sábios instruíram se originaram de leis espirituais, elas eram aplicáveis à vida física, tal como Israel as havia aplicado antes da ruína do Templo. Desta maneira, os judeus mantiveram certo nível de conexão com o nível espiritual do passado, mas sem o próprio alcance da fonte e origem das leis.

O Rabino Menahem Nahum de Chernobyl escreveu com respeito à desconexão de Israel do nível espiritual e a perda da realização do Criador. “A razão do exílio é a ruína do Templo em geral e em particular. Israel se [tornou] tão corrompido que causou a expulsão da Shechiná [Divindade] do Templo geral. Este Templo particular [pessoal] está dentro de seus corações… e através da partida do Templo [Divindade] particular… [eles] abandonaram o Templo geral e o exílio chegou”. [i]

No mesmo espírito, Jonathan Ben Natan Netah Eibshitz escreveu, “No Primeiro Templo, a Divindade não se moveu do Templo porque o exílio foi durante um curto período. Mas na segunda ruína, que é durante um período prolongado de tempo, a Shechiná [Divindade] partiu por completo”. [ii]

Enquanto a maioria dos judeus se concentrou em manter uma conexão com a espiritualidade no nível instruído a eles pelos sábios da Mishná e Gemará, sempre houve alguns poucos excepcionais que simplesmente não conseguiam permanecer com a observação cega de mandamentos. As questões que conduziram Abraão a descobrir o Criador ardiam dentro deles; seus pontos no coração não haviam sido saciados, e eles foram conduzidos ao mais profundo de todos os estudos, a sabedoria da Cabalá.

[i] Rabbi Menahem Nahum of Chernobyl, Maor Eynaim [Luz dos Olhos], Beresheet [Gênesis].

[ii] Jonathan ben Natan Netah Eibshitz, Yaarot Devash [Favos de Mel], Parte 1, Tratado no. 13 (cont.)

Unidade Ou A Torre De Babel?

Dr. Michael LaitmanPergunta: A atual conexão integral entre as pessoas não pode ser considerada como a Torre de Babel?

Resposta: Não há conexão entre as pessoas. Há unificações dos mercados, bancos, etc., e isso é a construção da Torre de Babel (egoísmo). Mas isso corre o risco de entrar em colapso e nos enterrar sob suas ruínas.

A Cabalá oferece a mesma solução proposta por Abraão há 3.500 anos para o mesmo problema. Nós devemos chegar à unidade acima do nosso egoísmo e apesar dele. Nós vamos dominar este método no bom caminho, ou seja, pela Luz, ou num mau caminho, pelo sofrimento. Não há outro caminho. O objetivo pré-determinado da natureza está diante de nós, que é o de revelar o Criador através da união com todos.

Primeira Velocidade De Escape

laitman_233Pergunta: O que é o mundo superior que eu posso sentir se consigo desenvolver o sistema de percepção adicional da realidade?

Resposta: O mundo espiritual é chamado de mundo superior porque é maior do que o mundo material de acordo com as suas propriedades. As propriedades do mundo espiritual são doação e amor, algo que está acima do nosso próprio egoísmo.

Isso significa que eu tenho que sair do meu egoísmo no mesmo sentido, como um foguete que supera a gravidade da Terra quando entra em órbita. Muita energia deve ser gasta para alcançar esse objetivo.

Quando um satélite está em órbita, em voo livre, a força gravitacional puxa o satélite em direção ao centro da Terra. No entanto, uma força conflitante, que permite que o satélite se afaste da Terra, neutraliza-o.

Isso significa que nós precisamos do tipo de força que possa nos afastar de nosso egoísmo. O egoísmo nos puxa para si, desejando nos fechar internamente; é por isso que nós estamos tão conectados com o mundo material e não conseguimos nos separar dele.

Tecnicamente, este problema pode ser resolvido com a criação de tais motores potentes que seriam capazes de nos fazer decolar. A fim de escapar do campo gravitacional da Terra, a pessoa deve alcançar certas velocidades chamadas “a primeira velocidade de escape” (4,97 km/s) ou “a segunda velocidade de escape” (6,96 km/s).

Então, é possível orbitar a Terra sem sentir sua atração. Dessa forma, nós neutralizamos a força gravitacional com a força oposta do nosso desejo de escapar dela, de subir acima dela.

O mesmo fenômeno ocorre na sabedoria da Cabalá. Se vencermos o nosso egoísmo que nos puxa para baixo em direção a si mesmo, utilizando as forças de doação e amor, nós ascendemos a tal dimensão que é completamente construída sobre a doação. Isso significa que ela se encontra acima dos nossos corpos físicos, e nós entramos no novo mundo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 15/01/15

Como Ter Sucesso Na Escola Da Vida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu sou uma pessoa prática real que não acredita em qualquer poder superior ou outra coisa. Eu só quero saber como governar a sorte (destino).

Resposta: Você pode governar a sorte se mudar a si mesmo, para ser como o poder da sorte.

Pergunta: E se eu sou um ateu, será que posso governar a boa fortuna de acordo com o seu método?

Resposta: Isso não está relacionado à fé. É uma técnica com a qual as pessoas práticas e pragmáticas que querem ter sucesso na vida chegam a um resultado muito mais rápido.

Pergunta: Como posso governar a sorte?

Resposta: A força que move você ao longo da vida não muda. Você tem que se tornar como essa força. Assim como uma criança que não quer ir para a escola tem que mudar seu ponto de vista, sua direção.

A criança precisa ver que se ela muda para caber no grau em que se encontra, não quer mudar o grau de acordo com ela, mas, se ela se senta calmamente e estuda, faz o seu dever de casa, então ela pode alcançar um grande objetivo como resultado.

Pergunta: Pelo que eu entendi, o objetivo de toda essa escola da vida é me ensinar a amar?

Resposta: É verdade; não há nada além disso. Está escrito: “‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’ é a principal regra de toda a Torá”.

O que se pode ganhar com isso? Ao alcançar as propriedades do amor, você se conecta a um poder superior e alcança o mesmo estado em que esse poder reside na eternidade e perfeição, sem quaisquer restrições.

Pergunta: Quem é o poder supremo no seu exemplo sobre a escola? É o principal?

Resposta: Imagine que há alguém acima do diretor da escola, eterno e perfeito. E ele deseja que você alcance a mesma condição que ele, para se tornar eterno e perfeito, à custa de suas mudanças internas, de sua transformação interna. Quando? Aqui e agora! Afinal de contas, não há tempo e tudo depende do seu esforço e perseverança.

Pergunta: O que é o poder superior?

Resposta: Um poder superior é a força abrangente, única da natureza, além da qual não há nada. E nós estamos todos nela. Nós só existimos porque essa força é o poder do amor e doação, e nós devemos atingir o mesmo estado em que ela reside.

Nós vamos alcançá-la, uma vez que devido a essa força nós recebemos a Torá, a chamada Luz que Reforma, o método da Cabalá, através do qual podemos mudar a nós mesmos facilmente e nos tornarmos como o poder da sorte.

Qualquer pessoa que queira governar a sorte tem que vir para a Cabalá, e aprender como ter uma boa sorte o tempo todo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 08/01/15

A Sabedoria Da Cabalá É Uma Sabedoria Para A Percepção Do Mundo

laitman_254_01Pergunta: Por que você diz que cada um vê a sua própria realidade na sua frente, que ele retrata através de suas próprias características, se todos nós vemos o mesmo mundo?

Resposta: Todos nós vemos um mundo no momento, mas cada um de nós pode mudar a realidade que sente. A sabedoria da Cabalá é um método para a percepção correta.

Eu vou ver que, basicamente, a realidade é muito mais ampla do que parecia para mim e que tudo nela avança numa boa direção. E isso não será uma ilusão ou autoengano. Na medida em que eu descubro o mundo e trago Luz para a minha vida, essa é a imagem que eu vejo na minha frente.

Pergunta: A própria realidade mudou ou a minha percepção?

Resposta: A realidade que eu vejo só existe na minha percepção. De onde é que eu posso saber que ela realmente existe numa forma como essa fora de mim? Eu percebo o mundo de acordo com as minhas características, mas isso não significa que ele existe nessa forma objetiva. Se a pessoa possuísse características diferentes, ela veria outro mundo com cores e formas completamente diferentes.

Nós estamos tão acostumados com a realidade que percebemos através dos nossos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato), que ela parece real para nós. Mas as coisas não são assim.

Uma pessoa é como um dispositivo com cinco sensores que são ajustados para determinadas gamas de frequência e ela está acostumada a viver num mundo como esse. Mas se mudarmos os cinco reguladores para outras faixas de frequência, veremos uma realidade completamente diferente. A ciência já descobriu isso hoje, e milhares de anos atrás a sabedoria da Cabalá falou sobre isso. Portanto, a sabedoria da Cabalá (a palavra hebraica para “escravidão” significa “receber”) é assim chamada porque é a sabedoria para a percepção do mundo.

Do Programa na Rádio Israelense 103FM, 08/02/15

Qualidades Do Sumo Sacerdote, Parte 4

Laitman_1675. Idade

“É vantajoso quando o Primeiro Sacerdote possui dignidade e experiência. No entanto, ambas as qualidades vêm com a maturidade”. (“Faça-se a Luz”, “Levítico”, “Emor“)

Como resultado de vários níveis que a pessoa atravessa por conta própria, ela adquire uma enorme experiência de subidas espirituais. Esta experiência define sua maturidade.

“De forma prática, o Juízo Superior escolhe o Primeiro Sacerdote, independentemente da sua idade, sob a condição de que ele possua todas as qualidades necessárias pertinentes. Particularmente, se o filho do Primeiro Sacerdote fosse capaz de tomar o lugar de seu pai, ele seria a primeira escolha entre outros Cohanim apesar de sua pouca idade”.

O “filho” significa a etapa que precede imediatamente o nível superior e é a mais próxima a ele. Isso explica por que é superior a todas as outras etapas. O nível superior é obrigado a ser um “Cohen vitalício” (ou seja, possui as qualidades de Cohen); no entanto, a preferência é dada ao nível subsequente, inferior, embora ele não seja muito brilhante porque permanece constantemente na sombra do seu nível superior.

Por exemplo, Rabash estava sempre na “sombra” de seu pai, o Baal HaSulam. No entanto, ele acabou por ser o mais digno entre os estudantes de seu pai. Os benefícios do nível inferior aparecem gradualmente; é impossível dizer onde eles se originam e por quê. A conexão entre essas qualidades não é óbvia. No entanto, na espiritualidade, existe uma ligação muito rígida entre os níveis. Lá, Rabash não é considerado filho de Baal HaSulam, mas seu discípulo.

Comentário: O Hassidismo geralmente transmitia a liderança de pais para filhos.

Resposta: Aqueles que não tinham conhecimento de como transferir a liderança espiritual tinham certeza de que deviam agir de acordo com a Torá: se você é filho de um grande homem, isso significa que você herdou alguma coisa do seu pai porque ele “contribuiu” com seu sêmen a você. No entanto, a noção de “sêmen” implica a Luz Superior, não genes fisiológicos.

Assim que o Hassidismo começou a interpretar a Torá literalmente, deixou de existir. Por algum tempo, o Hassidismo foi baseado na Cabalá; mais tarde, ele se transformou no fenômeno que observamos hoje: uma variação de um movimento nacional.

No geral, o Hassidismo é uma tendência leve e simpática, que ainda tem uma infinidade de nuances pro-Cabalísticas externas. Mesmo que as suas tradições, costumes e leis ainda sejam baseadas em princípios Cabalísticos, a parte mais importante, o trabalho no coração, está perdido.

O fundador do Hassidismo, o Baal Shem Tov, transferiu corretamente esse ensinamento espiritual para seus grandes seguidores: Dov Ber de Mezeritch e outros líderes espirituais. Eles eram grandes Cabalistas, santos que alcançaram o nível de doação completa.

Em cem anos, tudo começou a mudar rapidamente. Como regra, os Cabalistas eram pobres. Os ricos que os rodeavam menosprezavam eles: “Voltem para os seus galpões e leiam O Zohar, enquanto isso, nós vamos construir um prédio lindo e todo mundo virá até nós”.

Os ricos preferiam outros líderes que estavam muito mais perto deles mentalmente e que os abençoavam e respeitavam. O “período de ouro”, que começou com o ARI, diminuiu gradualmente e chegou ao fim.

No entanto, os seguidores do Baal Shem Tov instigaram um enorme processo de correção. A Cabalá contemporânea é baseada em seu trabalho.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 14/05/14

Como Um Feixe De Juncos — Correções Através Das Eras, Parte 3

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 3: Correção Através das Eras

A Evolução do Método de Correção

Moisés Diz, “Unam-Se!”

A solução veio na forma da Torá de Moisés, mas também com uma nova precondição para a execução de qualquer correção desse momento em diante. Para receber a Torá, escreve o grande comentador, RASHI, o povo de Israel manteve-se na base do Monte Sinai “como um homem com um coração”. [i] Essa absoluta e completa unidade evoluiria mais tarde para uma das características mais proeminentes de Israel – a responsabilidade mútua – o nobre traço que distinguiria Israel de todas as nações da época.

Após a sua aceitação da condição de ser como um homem com um coração, o povo de Israel recebeu a Torá, a instrução, o código de leis que o ajudaria a dominar o ego. Com ela, eles se tornaram uma sociedade onde cada membro – homem, mulher e criança – alcançou o Criador e viveu pela lei da garantia mútua, em equivalência de forma com o Deus (ou força) único que Abraão havia descoberto. O Talmude Babilónio escreve, “Eles verificaram de Dan a Beer Sheva e nenhum ignorante [pessoa não corrigida] foi encontrado de Gevat a Antipris, e nenhum menino ou menina, homem ou mulher foi encontrado que não versasse cuidadosamente nas leis da pureza e impureza (correções de acordo com a lei de Moisés)”. [ii]

Com sua unidade recentemente adquirida, Israel conquistou Canaã – da palavra Kenia’a (render-se) [iii] – e tornou-a a “Terra de Israel” – um lugar onde o desejo pelo Criador governa. O Templo que Israel estabeleceu na terra representava seu alto nível de realização, onde eles continuaram a se desenvolver e a implementar o método de Moisés.

Ainda assim, como nossos sábios escrevem, “A inclinação ao mal nasce com o homem, e cresce com ele sua vida inteira”. [iv] e “A inclinação no coração do homem é má desde sua juventude, e sempre cresce em todas as cobiças”. [v] Ainda assim, o método de correção de Moisés, as leis que chamamos de “a Torá,” permaneceu intacto durante o primeiro e segundo Templos, e até durante o exílio na Babilônia.

Mas, à medida que o declínio espiritual de Israel continuou, o povo achou cada vez mais difícil se segurar à sua unidade e conexão com o Criador. Como resultado, o Segundo Templo era num grau espiritual (nível de conexão, ou equivalência de forma com o Criador) inferior ao primeiro. O Cabalista Rabi Behayei Ben Asher Even Halua explica, “Desde o dia em que a Divindade esteva presente em Israel, na entrega da Torá, ela não se moveu de Israel até à ruína do Primeiro Templo. Desde a ruína do Primeiro Templo … ela não esteve presente permanentemente, como durante o Primeiro Templo”. [vi]

No final, o nível de egoísmo aumentou no povo de Israel de tal forma que ele os separou por completo uns dos outros e do Criador. Certamente, foi a separação mútua que causou sua separação do Criador, da percepção da força fundamental da vida. Isso, por sua vez, resultou na ruína do Segundo Templo, e no último e mais longo exílio.

No seu livro, Netzá Yisrael (O Poder de Israel), Rabi Yisrael Segal descreve a queda melancólica de Israel: “No Segundo Templo havia uma virtude especial, que Israel não estava dividido em dois; havia somente união entre eles. Desta forma, o Primeiro Templo foi arruinado por transgressões que são Tuma’a [impureza], e o Senhor não mora entre eles no meio de sua Tuma’a. Mas o Segundo Templo foi arruinado por ódio sem fundamento, que revoga sua união, que era sua virtude no Segundo Templo”. [vii]

Da mesma forma, o grande acadêmico e poeta, Rabi Avraham Ben Meir Ibn Ezra, escreveu, “‘E vós pisareis nos seus altos cargos’, ‘E eu vos deixarei montar nos altos cargos da terra’, e a razão é o ódio sem fundamento que estava presente no Segundo Templo até que ele gerasse o exílio em Israel”. [viii]

[i] Rabbi Shlomo Ben Yitzhak (RASHI), O RASHI Interpretação da Torá, “Sobre Êxodo, 19:2”.

[ii] Talmude Babilônico, Masechet Sanhedrin, p 94b.

[iii] “Chamava-se ‘A Terra de Canaã’ porque todos que quiserem habitar nela devem ser subjugados pelo sofrimento todos os seus dias” (Rav Chaim Vital (Rachu), The Book of Knowledge of Good, Bo [Come])

[iv] Midrash Tehilim [Psalms], Psalm no. 34.

[v] Rabbi Chaim Thirer, A Well of Living Waters, Toldot [Generations], Chapter 25 (contd.).

[vi] Rabbi Behayei Ben Asher Even Halua, Rabeinu Behayei about Beresheet [Genesis], 46:27.

[vii] Rabbi Yisrael Segal, Netzah Yisrael [The Might of Israel], Chapter 5.

[viii] Rabbi Abraham Ben Meir Ibn Ezra, Ibn Ezra about the Song of Songs, 7:3

A Compulsão De Assistir Programas De TV Está Ligada À Depressão

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (Newsweek): “Na Universidade do Texas, em Austin, pesquisadores entrevistaram centenas de membros da geração Y para descobrir quais são os fatores psicológicos que levam as pessoas a assistir a três ou mais episódios de TV de uma só vez. O que eles encontraram foi preocupante — os telespectadores compulsivos são mais propensos a serem deprimidos e solitários, dois fatores que também são encontrados em comportamentos compulsivos prejudiciais, tais como comer e beber.

“Os autores, que admitem que também são telespectadores compulsivos, estavam corretos: eles descobriram uma correlação entre a compulsão de assistir programas de televisão e a solidão, a depressão, e se ter uma deficiência de autorregulação, que é uma incapacidade de controlar as compulsões.

“Para as pessoas que se sentem solitárias ou deprimidas, os autores sugerem que assistir televisão compulsivamente lhes permite escapar de sentimentos negativos. E quanto mais episódios alguém assiste mais essa pessoa pode escapar. Os especialistas chamam isso de fuga ou evitação da estratégia de enfrentamento (avoidance coping strategy).

“A programação original em sites de streaming parece feita para telespectadores compulsivos. A Netflix vem lançando uma temporada inteira de novos episódios de uma só vez, desde a estreia americana de Lilyhammer em 2012; House of Cards, Orange is the New Black e a versão da Netflix de Arrested Development todos estrearam no ano seguinte.

“Os pesquisadores da Universidade do Texas estão se juntando a um campo crescente da academia confrontando o entretenimento. Um estudo de junho passado sugeriu que a compulsão de assistir séries de televisão aumenta o risco de morte prematura. Em setembro, uma especialista em pesquisa de comunicação disse ao Huffington Post que é difícil romper a exibição de uma maratona porque os seres humanos são constituídos para observar alterações em ambientes, incluindo imagens numa tela de computador”.

Meu Comentário: Num futuro próximo, quando as pessoas tiverem mais tempo livre, este será o único passatempo aceito até que o sofrimento levante a pessoa do sofá e a atire nos braços dos outros!

Ao disseminar o método da educação integral, vamos preparar o ambiente, possibilitando que todas as pessoas que perdem tempo sentadas no sofá entrem neste ambiente.