Duas Forças Que Criam O Ser Humano

laitman_232_08Em geral, o nosso processo de desenvolvimento é sobre a expansão e a consolidação (“respiração”) que combina ambas as forças. Elas se opõem e ao mesmo tempo preservam a harmonia mútua.

O mesmo mecanismo natural pode ser aplicado às relações humanas. Nós também sentimos distanciamento e proximidade, arrefecimento e ardor.

Assim, nós passamos pelas mesmas formas de desenvolvimento como o universo. A diferença é que nós estamos num nível superior de consciência. É óbvio que não podemos “nos dedicar” apenas a uma dessas grandes forças, uma vez que não vamos sobreviver apenas inalando ou exalando.

A vida é um contraste de opostos. Se tudo é bom e maravilhoso, se a doçura não é salpicada ao menos um pouco com tempero ou amargura, nós perdemos o sentido do paladar e não conseguimos encontrar a essência da vida. É uma condição insuportável.

Apenas uma combinação de ambas as forças (positiva e negativa) nos dá uma sensação correta e, assim, uma centelha de vida emerge entre elas. Caso contrário, tudo desaparece, se dissolve em monotonia.

Pergunta: Como ambas as forças, os processos de expansão e consolidação, se manifestam na história da humanidade?

Resposta: Por um lado, nós nos estabelecemos em todo o mundo, estamos separados e desconectados uns dos outros, odiamos os outros e lutamos com eles. Nós vamos além das antigas fronteiras das limitações anteriores, já não desejando observá-las, nós quebramos nossos acordos, contratos, uniões, “libertando-nos” assim nos das nossas responsabilidades.

A força que nos empurra para este tipo de comportamento é o egoísmo. Quanto maior ele for, menos nós estamos dispostos a estar conectados com alguém ou alguma coisa. Também não queremos dever algo a alguém.

Por outro lado, a força da consolidação e união também nos influencia, fazendo-nos conectar e agrupar, promovendo uma sensação de que precisamos uns dos outros, forçando-nos a buscar as razões para unir, encontrar paralelos, e experimentar a proximidade.

Há uma oportunidade inversa: a força da expansão abre o nosso coração para o mundo inteiro, ao passo que a força da consolidação sai do egoísmo e nos faz buscar o benefício pessoal ao nos conectarmos com os outros.

Tudo depende de qual destas duas forças formam a nossa visão de mundo: boa ou ruim.

De um jeito ou de outro, é a interação entre as duas forças que se origina a sensação de vida em nós. É por isso que é muito importante equilibrar essas energias de modo que ambas sejam orientadas na direção certa.

Por exemplo, nós temos a tendência de idealizar as nossas fantasias sobre um casal “correto” que se assemelha a dois “pombinhos”. No entanto, no mundo real, as famílias são geralmente baseadas em conflitos. Elas precisam de um “tempero”, sem o qual o casamento se torna sem graça; trata-se de “lenhas” que devem ser adicionadas ao fogo do amor.

Assim, ambas as forças devem ser totalmente implementadas, embora ambas devam conduzir a uma realização, meta unificada. Sua combinação deve se basear no equilíbrio e proporcionar uma eficiência máxima que vem de uma fonte comum.

Pergunta: Como podemos criar e manter o equilíbrio entre as duas forças?

Resposta: Nós devemos estabelecer uma meta para ambas.

Em essência, há as forças de doação e recepção, atração e repulsão. Não importa em que nível ou esfera elas são implementadas – se se trata de mecânica, eletricidade ou outros campos da atividade humana.

Neste momento, nós estamos falando da influência de ambas as forças dentro de nós e entre nós, num nível sensual. Por conseguinte, nós devemos equilibrar a intensidade do nosso egoísmo com a força altruísta de doação.

Inicialmente, a força de recepção nos domina: nós queremos atrair e temos em nosso pode tudo o que pode ser benéfico para nós. Além disso, nós não queremos que os outros tenham tudo o que é bom para nós. Esse é o nosso estado original, genuíno. Nós devemos encontrar formas para equilibrar essa força ruim.

Nossos esforços para igualar a força ruim dentro de nós nos levará a um sistema em que mantemos uma harmonia interna, como a célula saudável de um organismo. Juntas, as células vigorosas repõem uma a outra e cuidam bem de seus vizinhos. Se isso acontece, nós estamos autorizados a receber para que possamos beneficiar ainda mais os outros.

Assim, nós estamos formando um organismo geral, cujas partes estão integralmente conectadas. Nós geramos um novo “corpo”, uma nova vida no nível falante, acima do inanimado, vegetal e animal.

Em outras palavras, o nível humano não se refere a nós do jeito que somos hoje. Neste momento, nós só ocupamos o topo do nível animal. Quando construirmos um sistema correto, ele será chamado de “um homem” (Adão). Na medida em que ele conter ambas as forças que estão equilibradas entre si, nós vamos começar a sentir a natureza com maior profundidade e amplitude.

Pergunta: O que nos falta hoje para sermos capazes de criar um sistema que seja adequado para o nível humano?

Resposta: Há uma deficiência da força de doação. Neste momento, só o desejo de receber está agindo em nós.

Atualmente, nós estamos na transição do nível animal para o nível humano. No entanto, é apenas a força de recepção que nós cultivamos. Qualquer uma das nossas ações de doação são destinadas apenas para receber mais e mais. Se não fosse por isso, não seríamos capazes de dar nada.

Assim, não importa o que fazemos, tudo sobre nós é apenas recepção, seja de forma óbvia ou oculta. O desejo de receber governa tudo, enquanto não temos a força de doação.

No entanto, se encontrarmos o caminho para gerar a força de doação entre nós, para equilibrar a energia de recepção com o poder de doação, e assim manter o equilíbrio entre as duas forças, elas vão nos transformar numa nova criatura chamada de “Homem”. Um novo tipo de consciência vai crescer em nós. Ela será construída em ambas as forças que nos permitem formar um sistema de doação acima da estrutura de recepção. Quando conseguirmos construir os dois sistemas, vamos sentir o nível superior da natureza, o nível falante.

Hoje, nós ainda não atingimos este nível. Falta-nos a segunda parte dele, a força da doação. Como resultado, não podemos realmente estar conectados e agora nos assemelhamos a um punhado de nozes num saco que são mantidas juntos apenas com a ajuda da pressão externa; caso contrário, elas simplesmente se dispersam.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

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