Contos: Cruzar A Fronteira Egípcia

laitman_749_01Depois que o grupo de Abraão trabalhou na unidade, eles começaram a descobrir um novo nível de ego e começaram a se afastar de novo, exatamente como fizeram na Babilônia.

Eles foram dominados pelo poder do Faraó, o ego gigante que os pressionava, e as relações entre eles se tornou “a escravidão no Egito”.

Foi nessa época que surgiu o próximo líder da nação, Moisés. Moisés foi educado na casa de Faraó desde muito jovem, mas mesmo assim, um grande desejo de ascender acima de sua criação despertou nele. Ele fugiu da presença de Faraó e se voltou ao povo, convocando-os a deixar o Egito.

O povo, no entanto, era muito fraco. Por um lado, eles entendiam que tinham que deixar a escravidão egoísta, caso contrário não haveria chance de se conectar e se unir para reproduzir a ideia de Abraão, que os ajuda a avançar na conexão entre eles, para revelar o Criador.

Por outro lado, o Criador está oculto de seus sentimentos. Assim, a escravidão no Egito é como noite para eles, visto que eles não sentem a vida espiritual. Mas eles já provaram e sentiram o que significa um estado espiritual: a vida sem quaisquer limitações, um sentimento do espaço exterior, uma dimensão diferente.

Por isso, eles foram primeiro bastante passivos, e Moisés teve que agravar o Faraó (o ego), de tal forma que as pessoas sentiriam sua dominação rígida. Só então eles viram as aflições que o ego causou neles e, assim, se prepararam para deixar o Egito, porque não queriam mais se identificar com seu ego. Eles não tinham força para romper com ele, mas, de repente, sentiram o desejo de fazê-lo.

Ao mostrar-lhes a crueldade e a astúcia do ego, Moisés eleva o povo e tira-os do estado egoísta. Agora eles estão prontos para superar todas as brigas, disputas e conflitos e ascender acima deles de acordo com a condição “o amor cobre todas as transgressões”. Então, eles rompem com a escravidão no Egito, sobem sobre ela e deixam o Egito.

Cada nível espiritual é feito de dez subníveis. Cada subnível deve ser visto como uma fonte de perda, dor, sofrimentos e doenças terríveis. Sofrimentos que se acumulam gradualmente no reconhecimento da escravidão egoísta e convencem as pessoas a romper com o ego (mesmo à noite, no escuro, quando nada é entendido e nada pode ser visto); a principal coisa é manter a conexão entre elas.

A situação antes do êxodo do Egito e depois é semelhante ao atravessar uma fronteira. No Egito, nós dependemos uns dos outros, odiando um ao outro, mas no momento em que tomamos sobre nós a lei da misericórdia, da doação altruísta, da incorporação mútua, podemos atravessar a fronteira e fugir do Egito.

De KabTV “Contos”22/10/14

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