Louvar O Atributo De Amor E Doação

Dr. Michael LaitmanHá um equívoco geral sobre o significado de agradecer o Criador. Nós caímos de joelhos e bajulamos o Criador, prontos a fazer qualquer sacrifício, como em culturas antigas, etc. Mas isso é totalmente errado. Nós devemos saber o que isso realmente significa.

Louvar o atributo de amor e doação expande nossa mente e nossos desejos, porque se fizermos isso, atraímos a Luz Circundante (Ohr Makif) sobre nós mesmos e nos abrimos à sua influência, embora realmente não entendamos o que estamos fazendo. De qualquer forma, mesmo no nível mais baixo há uma consequência.

Louvar os atributos de amor e doação no grupo, entre os amigos, eleva do Criador aos nossos olhos, a força superior, que é chamada assim porque está acima de nós em termos de qualidade, e assim podemos nos aproximar de revelá-Lo. Todas as belas frases sobre o amor do Criador, louvar o Criador, ansiar por Ele, curvar-se para Ele, nos atrai para mais perto do Criador.

A maioria de nós não entende este atributo porque nós estamos apenas no mundo material, mas agora nós começamos a ver que ele não é matéria, mas sim forças que nos dão a sensação de matéria e do seu movimento mecânico. Nós percebemos que o Criador é o único atributo que existe na natureza, o atributo de amor e doação.

Portanto, no grupo é necessário manter e elevar constantemente a gratidão, e a grandeza e singularidade do nosso trabalho. Assim, não basta elevar o espírito dos nossos amigos, o que também é importante, mas atrair a Luz Circundante (Ohr Makif), que atua em nós e corrige tudo.

Nós podemos até fazer um revezamento no grupo para que todos os dias várias pessoas se envolvam em louvar o Criador, o grupo, o estudo, etc., ou seja, tanto o objetivo como os meios para atingir o objetivo. Revezar-se era prática comum no século XVII no grupo do Ramchal e entre Cabalistas sérios.

Quando nós exaltamos artificialmente a doação e o amor – embora não seja perfeito e o trabalho espiritual nos esgote porque não é natural para nós e nem sempre nos parece que lidamos com ele – é especificamente nesses estados, se tentamos elogiá-los um pouco, que evocamos uma enorme Luz sobre nós, visto que ansiamos por ela artificialmente.

Nós devemos entender que é nesses estados, quando não nos sentimos felizes e não sentimos a grandeza dos amigos, da conexão entre nós e do objetivo da criação, quando nos sentimos cansados, distantes e isolados, tudo é orientação! Tudo é interferência! O estado espiritual é contínuo e eterno.

Se os estados em que nos encontramos estão mudando, isso só ocorre para elevarmos o nível ainda mais alto. Na verdade, nós temos que superar a nós mesmos artificialmente, pois, caso contrário, isso não é considerado trabalho. Todo o nosso trabalho é focado contra o ego, contra o que é revelado em nós a cada momento.

Mesmo se de repente eu estou num estado em que sorrio com os amigos, me sinto impressionado, e um sentimento de amor e unidade emerge entre nós, eu deveria entender que tudo é dado a mim pelo Alto, a fim de que eu suba ainda mais, porque este estado não é meu. Como um homem velho, eu deveria procurar: “Onde eu perdi alguma coisa? Onde posso encontrar um estado ainda mais elevado?” Eu não deveria denunciar o meu estado atual, mas sim buscar o último centavo que perdi aqui e ascender.

Isto significa que nós nunca recebemos certo estado de modo que devemos relaxar e aproveitar! Este é o egoísmo claro! A casca (Klipa) imediatamente começa a agir em nós e é muito difícil deixá-la mais tarde. Ela se acumula como escória, como material de resíduos, que temos que processar mais tarde, assim como poluímos a terra e os oceanos e depois temos que fazer algo sobre isso. Sem isso não vamos chegar à vida espiritual.

Neste sentido, é muito importante não desfrutar o que nos é dado num momento específico, mas sim encontrar prazer em nossos esforços! Nós devemos nos acostumar com isso.

Todos os nossos esforços, toda a nossa vida espiritual está acima da primeira restrição (Tzimzum Aleph) acima da Machsom (barreira). Restrição é um estado em que fazemos as nossas contas com o nosso ego e começamos a calcular apenas como sair de nós mesmos e encontrar prazer nisso.

Não é masoquismo, não é autoagressão e automutilação, mas sim aceitar uma subida egoísta com grandes esforços, mas esse esforço está incluído na Luz Superior. Eu espero que comecemos gradualmente a sentir isso agora. Vamos nos preparar para isso.

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