Mãe, O Que Você Me Comprou?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar”: Se não fosse pelo engajamento em Torá e Mitzvot Lishma (em Seu Nome), para dar satisfação ao Criador com eles, e não para nos beneficiar, não haveria nenhuma tática no mundo que pudesse nos ajudar a inverter a nossa natureza.

Se tentarmos agir por conta própria, não teremos a menor chance. Só nos engajando na Torá, ou seja, na metodologia Cabalística com a intenção Lishma podemos inverter nossa natureza.

Em primeiro lugar, há um problema com a terminologia: eu não sei o que a Torá e os mandamentos são ou o que é a intenção Lishma. É claro apenas que se trata de algum remédio, alguma “ferramenta de trabalho”, pela qual podemos converter nossa inclinação ao mal numa inclinação ao bem. Como podemos entender isso?

Do meu atual estado egoísta (1), eu tenho que passar para o próximo degrau altruísta. Para isso, eu tenho que cobrir certo caminho, chamado de “A Torá e os Mandamentos (Mitzvot) Lishma” (2). Mesmo que no começo eu não entenda nada, eu estou enfrentando certa “realidade” que não posso esconder. Eu sou originalmente colocado nesta realidade e estou neste caminho, que se torna extremamente difícil se eu não tenho o desejo de aprender como implantar a Torá e os Mandamentos para obter a intenção correta.

De qualquer forma, eu vou ter que fazer a transição do primeiro para o segundo estado. Mas, eu posso fazê-lo de duas maneiras:

  1. pelo sofrimento;
  2. pelo caminho da Torá e Mandamentos (Mitzvot).

Dizem-nos que há duas opções que temos que escolher. E nem sequer pense que o caminho do sofrimento também leva você para frente. Simplesmente, a cada momento em que você não está pronto, primeiro você vai pelo caminho do sofrimento e depois você salta para a implementação da Torá com a intenção Lishma.

É impossível avançar sob os golpes, porque nós temos que nos tornar mais sábios e mais experientes em nosso caminho, temos que entender mais e reunir os fragmentos do sistema numa única imagem, etc., e tudo depende da nossa prontidão em revelar a Luz que desce até nós. A Luz vem até nós e nós podemos imediatamente dar um passo à frente, sem sofrer no caminho benevolente se estamos preparados para isso de antemão; porém, se não estivermos preparados corretamente, vamos mergulhar nos sofrimentos.

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Pergunta: Que tipo de “caminho benevolente” é esse? Ele é realmente tão bom que continuamos sem tropeços?

Resposta: “O bom caminho” é que não importa o que acontece conosco, nós ainda o achamos agradável, belo e grande. A diferença está na preparação. É difícil de entender, ainda.

Imagine que uma mãe traz para casa um livro e dá para seu filho. Seu filho pensa que é uma história de aventura sobre piratas e tesouros, mas depois de desembrulhar, vê que é um livro de matemática. É uma pena! Agora, sua mãe é ruim e todo o dia é terrível.

No entanto, se ele for um menino inteligente, devidamente preparado e disposto a se tornar um “grande homem”, ele vai entender que precisa aprender mais. Neste caso, ele vai ficar chateado se sua mãe lhe der um livro de histórias com fotos. Afinal de contas, ele não precisa de piratas; ele precisa de conhecimento.

Assim, ele vai ficar muito feliz ao receber o livro, este é um presente! Sua mãe é boa, o dia é perfeito, e toda a vida é uma aventura. A preparação adequada transformou a matemática em verdadeiro deleite.

Assim, toda a questão é o que a pessoa considera um prazer e o que ela quer alcançar? A mesma Luz desce até nós; no entanto, ela pode nos trazer sofrimento e escuridão – escuridão em vez da Luz do dia. Sem a preparação adequada, a Luz é muito forte para os nossos vasos, desejos. A Luz e os vasos não “se encaixam”: a Luz não é absorvida porque não podemos protegê-la com a Luz de Hassadim. Portanto, ela se transforma em escuridão para nós.

Na verdade, não há escuridão. A sensação de escuridão é causada apenas pelo fato de que não podemos aceitar a Luz com a vestimenta de Hassadim.

Pergunta: Ainda assim, será que o bom caminho nos permite evitar a dor que vem de mudar nossa própria natureza?

Resposta: O ideal é que você não vai sentir qualquer dor. No entanto, como Baal HaSulam escreve, nós praticamente não avançamos por meio do sofrimento, nem pelo caminho da Torá, mas sim pelo nosso caminho “corporal”, “do meio”, no qual ocorrem todas as diferenças. No entanto, ao mesmo tempo, nós podemos manter a conexão sem nos desprender do processo espiritual, e podemos entender por que obtemos tudo o que nós passamos. Nossa disposição é variável, mas nós sabemos que estamos no caminho e tudo depende da nossa preparação.

Pergunta: Por que “golpeiam” meus pés enquanto estou no meu caminho espiritual? Por que isso acontece comigo se eu já estou tentando acelerar o tempo?

Resposta: Você não é “golpeado” nos pés! Você percebe as Reshimot (genes espirituais) quebradas inerente a sua alma.

A Luz vem para todos e brilha para todos igualmente. No entanto, novas Reshimot aparecem em nós a cada momento e é por isso que vemos “faixas” pretas ou brancas contra a Luz.

Antes existia um vaso espiritual que era corrigido e perfeito. A Luz derramava-se nele. Então, o vaso foi danificado, e agora é como se estivéssemos assistindo a um filme sobre isso, quadro a quadro.

Há uma “lâmpada” num projetor espiritual, e um filme está rodando diante dela que mostra várias imagens: pessoas, animais, casas, etc. O filme inteiro, todas essas imagens, é, em essência, apenas as Reshimot de uma alma quebrada. É assim que nós as vemos enquanto estamos “deste lado” do projetor. Nosso cérebro percebe essas “imagens;” nós as “vemos” com a parte do nosso cérebro que funciona como uma tela, onde as imagens do mundo que nos rodeia são representadas para nós.

Em essência, tudo o que nós vemos é uma Luz branca imutável. Não há mudanças no lado do Criador; Ele é o Bem e faz o bem a todos. Ele não muda, apenas as Reshimot da alma quebrada mudam. Nós vemos a nós mesmos e assistimos os nossos próprios “filmes” que são criados por nossos vícios! É por isso que se diz: “Todo mundo nega acordo com suas próprias falhas”. As únicas coisas que são mostradas para nós são os nossos defeitos. Todo este mundo não é nada, exceto o eu “quebrado”.

Pergunta: Como este “filme” se torna-se diferente se nós aceleramos o nosso caminho?

Resposta: A diferença é se nós estamos preparados ou não. Depende de nós, de como construímos o nosso progresso: se estamos “dentro do cronograma”, ou aceleramos? Como podemos acelerar o processo? Podemos fazê-lo com a ajuda do grupo.

Acontece que temos tudo que precisamos. Nós recebemos coisas muito específicas que necessitamos. Quantos anos nós temos que olhar para este mecanismo para finalmente entender como ele funciona?

Se o grupo estiver devidamente preparado, nós nos congratulamos com o “filme” como um menino que desfruta um livro texto e não de ficção. Nós aceitamos os “quadros” de nossas vidas e aprendemos a apreciá-los.

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Não é por acaso que o mundo moderno está em crise. Onde ela vem se, tecnicamente falando, podemos corrigir todos os problemas? Antes, as pequenas crises nos empurraram em frente, ao passo que agora, não importa o que façamos, nós não melhoramos as coisas; todas as mudanças serão apenas para o pior.

Hoje toda a humanidade assiste a esse “filme” e vê uma série de novas condições que são causadas pela falta de conexão entre nós numa escala global. É por isso que temos que estar preocupados com a nossa correção geral.

Assim, sem uma preparação correta, todos os “quadros” subsequentes nos aparecem em formas muito desagradáveis; cada vez eles vão se tornar piores. Afinal de contas, a espiral das Reshimot continua a se desdobrar; elas se revelam em nós uma após a outro, mostrando, assim, a imagem do mundo para nós.

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Isso significa que não há outros remédios, exceto a preparação correta de um indivíduo, um grupo ou toda a humanidade. Tudo depende da preparação. A Luz pode vir ou não à tela (Masach) na Rosh do Partzuf. Se não houver nenhuma tela, a Luz vai para a força de restrição (Tzimtzum) mesmo que ela queira entrar dentro do desejo. Neste caso, o Partzuf irá cair completamente na impureza.

Se o Partzuf tiver uma tela, ele irá aceitar a Luz como algo que ele aspira; ele se apega à Luz e produz uma interação com ela (Zivug), uma conexão com o Criador.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 19/12/13, Escritos do Baal HaSulam

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