Ego, Eu Não Pertenço A Você

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos verificar qual é a nossa intenção durante a leitura do Zohar?

Resposta: O Livro do Zohar é a fonte de Luz que chega até nós se desejarmos usá-la corretamente. Assim, ao estudar os livros Cabalísticos, eu sempre atraio alguma iluminação sobre mim, mas ela vem de acordo com a intensidade dos meus esforços e a minha prontidão. Se eu estudo para ganhar alguma coisa corpórea ou para ganhar o próximo mundo como um privilégio pessoal, então a Luz, por sua influência, cria em mim uma escuridão ainda maior. Eu me afasto ainda mais do entendimento do motivo pelo qual este sistema foi-me dado, o que tenho que fazer comigo mesmo, e como deveria tratar os outros. Mesmo quando eu leio palavras maravilhosas sobre o amor e a conexão, eu não sinto mais um sentimento de integração, não vejo a conexão e não sei como perceber o texto: se o deixo entrar em meu coração ou não. Isso significa que eu estudo como um morcego, que se alimenta à noite e não espera o amanhecer.

Mas se eu tento me conectar com outras pessoas e esta é a razão para eu aprender o método, ao manter e observar a condição para aceitá-lo no Monte Sinai, desejando juntamente com todos os outros a ser “como um homem em um só coração”, para entrar na garantia mútua, alcançar o amor fraterno e através dele o amor do Criador, então a Luz começa a avançar até mim. Este não é mais o caminho comum que é superado em estágios, mas aos poucos começo a descobrir nele o estado quebrado e ruim.

O estudo egoísta esconde meu ego de mim, e eu me vejo como justo. Por outro lado, pelo estudo correto, eu descubro que estou imerso no mal. A primeira coisa que a Luz revela a mim são meus atributos corrompidos, e eu tenho que trabalhar nesse sentido. Ao descobrir o mal, sinto sentimentos ainda piores do que os anteriores. Então, o que eu posso fazer? Afinal de contas, de acordo com a minha natureza, eu quero fugir quando me sinto mal.

Talvez eu devesse parar de estudar e me retirar do grupo? Talvez eu devesse sentir desespero? Ou talvez eu devesse estar feliz que me foi permitido descobrir o reconhecimento do mal? Deve haver uma lei para mim, um convite: se eu puder superar essa sensação desagradável, eu vou desejar a doação acima da recepção.

Eu prefiro receber um golpe, uma vez que os sofrimentos que são revelados no meu ego me mostram que eu não trabalho para ele. Apesar de eu experimentar sensações desagradáveis, eu as supero e almejo a unidade. Eu não fujo para adoçar a amargura, eu não me fecho, eu não desço e paro de estudar. Pelo contrário, eu aceito todos os problemas que vêm de todas as direções na forma de união com os amigos, como sendo enviados pelo Criador e que “não há outro além Dele”.

Eu aceito todos os estados como benéfico para o meu progresso. Eu não quero anulá-los e continuo a estudar, a fim de neutralizar o sentimento ruim. Eu realmente quero isso, eu quero que ele fique, pois me concentra exatamente em como superá-lo, para estar acima da razão. Eu aceito de bom grado todos os problemas e interrupções, a pressão das circunstâncias, a zombaria externa, os diferentes sofrimentos, já que todos eles me ajudam a me concentrar corretamente no objetivo, criando tais limitações, tais imagens, que ao trabalhar nelas eu sem dúvida avanço.

Assim eu construo dentro de mim os vasos de doação acima dos vasos de recepção. Eles continuam a crescer e sofrer, enquanto eu, estando um nível acima deles, quero manter a conexão com o Criador até atingir a fé plena, o atributo de Bina, e começar a usar meus vasos de recepção a fim de doar.

Mas eu também não tenho a intenção de me acalmar, pois subi a um nível tal que não deve haver qualquer pensamento de complacência. Pelo contrário, eu anseio cada vez mais alto e estou até mesmo preparado para receber prazer, mas não para me satisfazer, mas para cumprir o desejo do Criador.

Este é o nosso trabalho. Ao longo deste caminho eu preciso de uma fonte real, um desejo egoísta que me dê a força de doação graças à minha superação dos problemas e sofrimentos que são revelados nele, e é claro para mim que tudo vem do Criador.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/08/12, O Livro do Zohar

Um Comentário

  1. Há lições que são como água no deserto.

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