O Dia Do Senhor E A Noite Do Senhor

Dr. Michael LaitmanPergunta: Do artigo do Baal HaSulam do livro Shamati, O que é o Dia do Senhor e a Noite do Senhor no Trabalho”, por favor esclareça o que significa “o dia do Senhor e a Noite do Senhor ” em oposição aos nossos dias e noites?

Resposta: Diz-se, para que desejais o dia do Senhor? Ele é trevas e não luz. A pergunta é: O que é o dia do Senhor? Se a pessoa se esforça em alcançar semelhança de propriedades com o Criador, então o dia do Senhor é um estado em que ela é capaz de doar. Não se trata de realizar seus desejos, mas sim um estado que é contrário a um desejo satisfeito, quando a pessoa exige apenas uma coisa: obter a qualidade de doação, a propriedade da fé acima da razão.

Em outras palavras, dentro de desejos em constante mutação, a pessoa sente escuridão e não se quer que a Luz brilhe neles, porque isso significaria que ela está em um estado chamado “dentro da razão”. O Criador quer que obtenhamos uma nova natureza, que irá permitir-nos sentir que somente quando nos elevamos acima a sensação de escuridão podemos realmente aprender a doar a Ele.

O que podemos doar? Apenas a nossa aspiração! Este é o ponto em que começamos a agradecer ao Criador por nos fazer egoístas, concedendo-nos enormes desejos individuais com os quais podemos brincar, e ao fazê-lo, aprender a ir contra eles. É como se o Criador quisesse preencher os nossos desejos egoístas e nós tivéssemos medo de receber Dele. É assim que subimos acima de nossos desejos; este processo dá-nos a chance de receber um “presente”, uma ajuda do Criador, que por sua vez, permite-nos perceber que o poder da nossa oposição faz o papel da verdadeira ajuda. É a nossa doação tangível para o Criador.

Nosso apelo nunca é verdadeiro, uma vez que os desejos que surgem em nós são completamente egoístas. Portanto, mesmo se nós orarmos para adquirir a qualidade de doação, nossas ações ainda são originárias do desejo de receber corrompido, o desejo que trazemos dentro de nós mesmos, o desejo de receber “por nossa causa”. É por isso que nossas demandas não são autênticas e são chamadas de “miskhak”, um jogo (brincadeira).

Por outro lado, o Criador também joga (brinca) com a gente, como é dito: Ele joga (brinca) com Leviathan. Isso significa que o propósito, que é a conexão do Criador com as criaturas, é só no jogo; não é uma questão de desejo e necessidade. Consequentemente, torna-se possível invocar e exigir que Ele nos conceda a qualidade de doação de uma maneira “não-séria”, tornado assim a Sua e a nossa seriedade equivalentes. Isso promove a nossa semelhança com Ele, a equivalência de forma.

Tudo o que temos que pedir é que na Luz constante do Criador fluamos acima de nossas condições internas que ocorrem por causa das Reshimot. Não há nada para pedir, exceto “boiar” acima das Reshimot, como se estivéssemos flutuando sobre as ondas, acima de quaisquer desejos que surjam em nós e todas as propriedades que temos. Nós devemos nos esforçar em superá-los, a fim de sermos capazes de doar ao Criador.

Esta é a única coisa que podemos dar a Ele; não há mais nada que possamos dar. Se não recebermos o poder de doação Dele, não seremos capazes de gerar estas propriedades por conta própria.

Se a pessoa fosse informada que o conhecimento formal iria ser sua recompensa por observar Torá e Mitsvot, (em vez de autossatisfação) ela diria, “Eu considero isso trevas, não luz”, uma vez que este conhecimento leva a pessoa à escuridão.

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