O Propósito De Se Criar Um Grupo

Dr. Michael LaitmanÀ medida que o homem passa por uma evolução, todo o seu desenvolvimento ocorre por meio do desenvolvimento do desejo de receber prazer, chamado amor próprio ou egoísmo. Portanto, se a pessoa não sente que vai receber alguma coisa, ela é incapaz de fazer qualquer ação. Internamente, ela sente isso como uma falta de motivação ou energia, que são necessárias para ela fazer um movimento interno ou físico.

Mas, a Natureza é a qualidade do altruísmo, doação e amor, oposta ao egoísmo. Ela impulsiona o homem a adquirir esta qualidade desenvolvendo-o através de um sofrimento cada vez maior, que ele gradualmente começa a perceber como um derivado do seu próprio egoísmo e do egoísmo geral de toda a humanidade. Em outras palavras, o objetivo que a Natureza estabelece para o nosso desenvolvimento é para que o homem alcance a equivalência com ela. Este objetivo destina-se expressamente para o homem, porque o egoísmo está ausente nos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza, que são governados e existem instintivamente, simplesmente obedecendo a sua natureza.

Uma vez que suprimir o egoísmo é contrário a nossa natureza e a todo nosso ser, nós precisamos de um grupo de pessoas com um só objetivo, que nos dê uma força maior para suprimi-lo. É por isso que precisamos de um grupo que una pessoas com o mesmo desejo: conseguir subir acima do egoísmo e da repulsa mútua, e se elevar ao amor mútuo.

O resultado da união em direção ao objetivo comum é que em vez de sermos totalmente fracos e incapazes de resistir ao nosso egoísmo, cada um de nós adquire uma grande força que ajuda o homem a subir acima do seu egoísmo, em direção à união.

Esta grande força surge como resultado da união de nossas pequenas forças individuais, ou melhor, nem mesmo forças, mas apenas desejos. Essas nossas pequenas forças vão se combinar e multiplicar, permitindo a cada um de nós subir acima do seu pequeno egoísmo para a união. É assim que cada pessoa adquire um tremendo desejo de subir acima do seu próprio egoísmo e alcançar um objetivo único.

Mas, para que isso aconteça, cada membro do grupo tem que suprimir ou reduzir seu “eu” em relação aos outros. Isso só pode ser feito ao não se perceber as falhas do amigo e prestar atenção somente a suas boas qualidades. Se um membro do grupo se considera um pouco melhor do que os outros, ele não é mais capaz de se unir verdadeiramente com eles.

Durante o compromisso do grupo na educação integral (unificação), nós temos que ser sérios e não nos desviar do objetivo para o qual nos reunimos aqui: a conquista de um desejo único de doação mútua e amor, como a equivalência com a Natureza nos exige.

Mas, com as pessoas de fora, devemos nos comportar de uma forma simples, com cortesia, tomando cuidado para não impor-lhes a ideia de união, doação mútua e amor. Isso porque os esforços para subir acima do egoísmo individual não podem ser feitos em encontros casuais, mas somente num grupo constante de amigos, sob a orientação de um instrutor. Durante seu trabalho no grupo, e em geral na vida, os membros do grupo devem tentar barrar a instabilidade de seus desejos, porque o comportamento imprudente ou mesmo pensamentos destroem todos os esforços pessoais e do grupo de se unir.

Mas, se um estranho acidentalmente encontrou o seu caminho numa sessão realizada pelo grupo, é necessário primeiro eliminar educadamente a sua presença para só depois continuar os estudos.

(Basedo no artigo do Rabash “Propósito da Sociedade (2)”

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