Políticos Europeus, Mudem A Economia!
Opinião: (Vladimir Potanin, dono de 30% das acções da Norilsk Nickel, o maior produtor de níquel e paládio do mundo): “Os líderes europeus que lutam contra a crise da dívida na zona euro têm um problema insolúvel que os levará ao declínio económico e à perda de poder produtivo para os rivais…
“‘Se eu fosse um político na Europa, eu suicidar-me-ia… Existe realmente uma diferença tão grande entre os interesses dos diferentes países, que eu simplesmente não percebo como você pode conciliar os interesses da Alemanha e da Grécia’. …
“Mas ele disse que a União Europeia se expandiu muito depressa e não tinha mecanismos para equilibrar os interesses dos diferentes membros na zona euro.
“‘A zona do euro tem duas opções muito ruins’, disse ele na Conferência de Investimento na Rússia da Reuters, levada a cabo no escritório da Reuters em Moscou.
“‘Ou excluir um país desta zona, o que seria politicamente terrível tanto quanto percebo, ou ficar onde estão e cortar despesas. Mas nem toda a gente está preparada para cortar despesas’.
“Potanin disse que a mudança global da produção para mercados emergentes tem drenado a riqueza de muitos países Europeus que procuravam suportar artificialmente altos modelos de vida com empréstimos.
“‘Nos negócios isso é muito mais claro: Você tem uma unidade que não executa, você dá à direcção da unidade tempo para mudar’, diz ele.
“‘Mas o que é que acontece se a unidade não começa a desempenhar? Você fecha-a. Mas você não pode simplesmente fechar um país como a Grécia’”.
Meu Comentário: A crise irá engolir toda a gente! Prepare-se para o facto de que a sua capacidade industrial será necessária apenas na medida em que ela sustente um nível de vida razoável. Esqueça o crescimento da produção! Vocês “potanins”, precisam de uma percentagem de crescimento como o jogo de “quem jogará melhor”.
A economia do futuro visa apenas fornecer as necessidades humanas razoáveis, e a crise levará as autoridades e gestores da indústria e comércio (por percepção ou sofrimento) a compreender esta condição da natureza e a necessidade de trabalhar apenas para este propósito.
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O problema europeu não é economico e sim falta de vontade política. Um pais pequeno como a Grécia não deveria ser motivo para esta crise. A UE é uma conquista, não pode ser descartada.
Em 2007-2008 quando se deu a conhecida crise do “subprime” iniciada nos EUA que se propagou pelos países Europeus e mais concretamente aos que estavam expostos, quer do mercado Norte Americano, quer nos mercados Europeus, onde esse tipo de credito hipotecário passou a ser de uso comum. Pensou-se desde o primeiro dia que a crise seria algo parecido com outros fenómenos que embora não compráveis, teriam efeitos temporários e após os quais voltaríamos a ter o nosso mundo de volta.
Mas este foi somente o rastilho para o que estava para acontecer e muitos ou mesmo quase todos os analistas, ainda não entendem isso. A crise do “subprime” serviu unicamente como catalisador de um processo que estava à muito para acontecer e que ainda está no seu inicio, mesmo actualmente e nos próximos dois anos. Até 2013 teremos seguramente aquilo a que podemos designar de fim da primeira fase do que serão os novos cenários que desenharão o novo mundo e a forma como viveremos nele.
O conjunto de convulsões sociais, um pouco por todo o globo, são apenas indicadores de que o processo de transformação é necessariamente irreversível. Muitos assustam-se com essas convulsões, julgando serem essas as grandes ameaças do chamado tesouro do mundo civilizado – a democracia. Não vendo nelas a expressão de que está a surgir uma nova mentalidade que se rege pela inconformidade, sendo que essa nova mentalidade que irá transformar o mundo que conhecemos, age de variadíssimas formas. Dependendo das circunstancias e culturas da região do globo onde estejamos, a sua forma de agir será diferente em função de um conjunto de circunstancias, no entanto, o objectivo dessa acção é na sua essência sempre a mesma – o quer ter o que é seu por direito.
Se em alguns casos e regiões do globo as formas de reacção são de protesto e reivindicação, sendo estes que mais temor provocam aos povos e governos dos países ditos desenvolvidos, de forma enganadora, pois as reacções de reivindicação que maior impacto têm provocado no que se designa por crise, são as reacções passivas mas perversas nos seus efeitos sob a perspectiva dos países que sofrem a crise e seus povos que se vêm a perder direitos conquistados e julgavam ser eternos.
Veja-se em detrimento dos primeiros, o que é o fenómeno de países como a China e a Índia, onde até aqui os seus povos, viviam numa económica arcaica de troca directa, onde era impossível fazer qualquer tipo de poupança. Esta mesmo economia de troca, garantia que os povos dos países desenvolvidos não sofressem os efeitos que sofrem neste momento. Passo a explicar. Mesmo com salários muito baixos, a partir do momento em que o cidadão destas economias passou ter como resultado de uma troca a moeda e isto é recente na generalidade da população destes países, deixou de haver a necessidade de consumir todos os recursos resultado do seu trabalho, passando a resultar em dois factores que levam a esta suposta crise.
Estes milhões de pessoas deixaram de consumir tanto, pois parte do seu consumo vinha implícito na troca e para alem disso passaram a ter uma maior motivação para a poupança por forma a ver a seu futuro e segurança quanto a este, aumentado. Estes dois movimentos tiveram e estão a ter um impacto enorme nas economias ditas desenvolvidas, pois para alem de nós não termos ajustado também os nossos níveis de consumo, ainda assim, passamos a financiar-nos nas poupanças dessas economias que paradigmamente deixam de consumir, levando-nos a consumir e ainda enriquecem, emprestando-nos o que não temos para esses níveis de consumo. Ora isto não pode levar a nada de bom, obviamente…
Para os povos que têm estado em situação privilegiada em relação aos chamados povos dos países menos desenvolvidos, esta é uma crise criada pelos senhores governantes, pelos economistas, os financeiros, etc., no entanto, nesta visão limitada e egocêntrica, deixamos de ver com clareza, pois se o conseguíssemos fazer, veríamos que a crise financeira que vivemos, não é mais que a resposta da economia, aos movimentos e acções dos povos que nada tinham e que começam a reivindicar o que é seu por direito.
De uma forma simples podemos entender esta crise financeira ou se pretendermos, a forma mais adequada no termo, esta escassez de recursos financeiros, através da imagem sempre sensata e sábia que os provérbios populares nos transmitem: “Quando a manta é curta, alguém tem que ficar com os pés de fora”.
Mas isto só acontece, porque todos e ao mesmo tempo queremos ficar completamente “tapados pela manta”. Os que até aqui estávamos habituados a tê-la só para nós e os que nunca a tiveram até aqui, mas que descobriram que essa manta também lhes pertence, tendo direito a, pelo menos, parte dela.
Obviamente que nenhum de nós, todos os seres humanos, de forma tecnicista, espiritualista, ou qualquer outra, ainda não entendemos que está crise, não é mais que um auto-ajustamento dos sistemas globais para que uma nova era e novos paradigmas se instalem, criando assim uma nova lógica de distribuição de recursos, forma de viver do ser humano, proceder e entender o mundo e os seus semelhantes.
Então, como se resolverá esta crise? Tem solução?
A solução sob o ponto de vista teórico, é bem mais simples do que os “experts” imaginam e procuram. A questão que a dificulta é a sua aplicação voluntária e consciente, a que ninguém se predispõe.
Se a origem da designada crise está na forma desalinhada como até aqui os recursos estavam distribuídos, então para dar resposta a esta crise, criando o mínimo de sofrimento e impacto negativo nas mudanças de são inevitáveis, deveríamos antes de tudo;
- ganhar consciência deste facto,
- prepararmo-nos para alterar o nosso estilo de vida de forma a não sentir que essa mudança seja má, mas simplesmente necessária e que podemos viver sem desperdícios e maus hábitos consumistas,
- devemos ter consciência que a médio prazo, após tudo estar mais ajustado, não perderemos o que é essencial, apenas deixaremos de dar importância a valores que dávamos até aqui e que basicamente eram desperdícios – consumo desnecessário.
Então e voltando ao nosso provérbio, para resolver esta crise e como não temos mais que esta “manta” que é de todos, mas que não nos protege a todos, pois é curta, então teremos que a “desmontar” e a partir dos seus “materiais” reconstruir uma nova “manta” mais fina, mas que nos cubra a todos em aparente igualdade ou que pelos menos venha a ter essas potencialidades, no seu devido tempo.
Então a única pergunta que subsiste não é como se irá resolver tudo isto, pois a questão quanto ao como, é só se o iremos fazer voluntariamente ou involuntariamente. Sendo que se o fizéssemos voluntariamente teríamos como prevenir alguns dos impactos nefastos que afectam tremendamente a vida das pessoas e eu ai atribuo de facto a culpa ao dirigentes que não tiveram, têm e não sei se terão no futuro, visão e sensibilidade para ver tudo isto – a verdadeira causa que está a originar estes efeitos. Isto porque a mudança se está a dar de forma involuntária, mas ela dar-se-á, pois é inevitável, tanto como o facto de estarmos vivos e um dia termos que partir.
Então a pergunta que subsiste é: ? Quanto tempo levará a que a mudança se faça e terminem os efeitos nefastos sobre os povos a que lhes está a ser “retirado” parte do que julgavam ser seu por direito?
Pois…só depende de todos nós, do tempo que demoremos a perceber que temos que fazer este caminho e do tempo que possamos demorar a percorrê-lo. Isso ou então da forma que está a acontecer, involuntariamente e com todo o sofrimento causado. Tudo que o que possam dizer, contrario a isto, são falsas promessas, por conveniência ou por ignorância. Sinceramente já concluo que por ignorância e falta de ver mais alem.