Não Bata No Computador, É Inanimado!

Uma pergunta que recebi: O que significa que o Criador se irrita? Se estamos falando acerca de leis espirituais invariáveis, por que o Zohar retrata o Criador como alguém que possui qualidades humanas, tais como raiva, inveja, etc?

Minha Resposta: A Torá usa a linguagem do homem para nos dizer o que sentimos e atribuímos ao Criador. Costumo usar um computador como um exemplo disto. Por que ficamos com raiva de um computador quando ele não é nada além de pedaços de metal e plástico? Ele não tem inteligência, mas apenas executa seus comandos programados perfeitamente. Todas as suas ações estão corretas.

Se você pressionar a tecla errada, ou se lhe falta o conhecimento de como funciona o programa, você pode quebrar o teclado devido a  sua frustração, mas o computador continua a responder com o mesmo erro a cada momento. Uma pessoa não é um computador que pode mudar o seu comportamento. Um computador é inanimado, e não pode mudar. Porém, você ainda se relaciona com ele como se ele fosse uma pessoa, questionando-o com raiva: “Por que você não está fazendo o que eu quero que você faça?”

Nós atribuímos a um computador nossas próprias qualidades, nossa personalidade, desejando que ele mude como nós. Na verdade, somos imperfeitos e mudamos, enquanto que  o computador não é incorrigido, daí seu comportamento é invariável e sempre correto.

A mesma regra aplica-se ao Criador. Nós não estamos falando sobre o próprio Criador, mas sim de “Bo-Re” (“Vem e vê”), isto é, a nossa percepção do Criador. Nós discernimos e concebemos o Criador em nossos desejos (vasos(kli) de recepção, Kelim). E é por isso que nós atribuímos ao Criador as mesmas qualidades e reações características de nós.

É, portanto, escrito que a Torá fala a língua do homem. A fim de explicar-nos o nosso comportamento correto e, para nos ajudar a mudar, é preciso imaginar que o Criador sofre alterações; mas na verdade Ele não altera. A perfeição não pode mudar, caso contrário, não seria perfeição.

Atribuindo ao Criador as nossas qualidades e vendo que Ele  muda sua atitude em relação a nós, podemos nos ver em duas manifestações: uma, do jeito que eu sou como sou, do jeito que eu apareço dos dois lados e as alterações que sofro tanto em um mundo transitório ou permanente.

Essa dualidade perceptual que nos permite imaginar como se muda alguma coisa fora de nós é um grande dom do Criador. Devido a isso chegamos a perceber uma dimensão diferente, a compreender o mundo espiritual, para entrar em sua percepção de forma livre e independente.

Portanto, a nossa percepção da realidade que existe e mudanças fora de nós mesmos é uma verdadeira salvação da cela na prisão do nosso mundo ( a sensação de claustrofobia espiritual). É um ponto fundamental, que concede à criatura a oportunidade de se elevar além de sua criação, para tornar-se humano: Adão, semelhante ao Criador.

Da 1a. parte a Lição Diária de 27/04/10, O Zohar

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