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Fundamentos da Correção Espiritual

O Zohar: Capitulo “VaYaera (E o Senhor Apareceu)” Item 360: “Ele manterá o pé dos Seus santos”. Está escrito: “Seus santos”, sem a letra Yod (em Hebreu), o que significa um santo, Abraão, com o qual o Criador sempre caminha, assim que outros não serão capazes de causar-lhe mal. “Mas os malvados estão silenciados na escuridão”. Aqueles são os anjos que o Criador matou na noite quando Abraão os perseguiu.

A qualidade de Hesed (Abraão) é o fundamento de todas as outras correções. É a primeira qualidade que se torna revelada no egoísmo durante sua correção. Por isso o consideramos como o “pai da nação de Israel”, isto é, ele é o pai (fundamento) da nação (todas as outras correções) de Israel (Yashar-El) conduzindo a pessoa direto ao Criador.

Esquecimento Caro

Laitman_9141Nós temos nos acostumado com o fato de que quando desejamos alcançar algo nas nossas vidas ordinárias, fazemos esforços e recebemos um resultado. Para colher uma colheita, por exemplo, precisa-se lavrar a terra, plantar as sementes, cuidar da colheita e etc.. O fruto do trabalho é a direta conseqüência do esforço pessoal investido.

A espiritualidade é também impossível de ser alcançada sem esforço, mas por uma razão diferente: o esforço constrói um desejo espiritual (vaso) dentro de mim, onde a satisfação espiritual pode ser sentida. A satisfação existe em abundância, mas somos incapazes de senti-la e a perceber. Os esforços do homem causam uma influência na Luz Superior, que forma a pessoa, ajustando ele ou ela à sua satisfação. A Luz Superior executa todo o trabalho. Assim, eu coloco esforço no “desejo por Ele”, e a Luz trabalha; o Criador e eu somos parceiros.

Constantemente esquecemos nosso Parceiro, pensando que precisamos mudar e corrigir a nós mesmos enquanto realizamos mudanças na sociedade somente com nossas mãos, como se tudo estivesse centralizado em mim e fosse realizado por mim. Esquecemos que somente precisamos gritar e pedir como uma criancinha, e então, acontecerá. A Luz me influenciará e fará tudo. O Criador irá fazer “o que é necessário”, enquanto nós precisamos adivinhar “o que é necessário” e pedir isso a Ele, de acordo com o princípio “Torne o seu desejo como o d’Ele”.

Avançamos muito lentamente porque constantemente esquecemos sobre a correção através da Luz, presumindo que podemos vencer usando nossa própria força. Nós tentamos nos transformar e ao mundo, conectar causa e conseqüência, fazer o trabalho da Luz e ver o resultado do nosso trabalho.

No princípio, nos esquecemos sobre o componente principal, a Luz, que nos dá a forma desejada. Subsequentemente acreditamos que o que está fora de nós precisa de mudança e esquecemos que mudanças externas somente são o resultado de nossas mudanças internas.

O mundo exterior não muda. Em lugar disso, nossa visão do mundo muda junto com nossas qualidades internas, nosso desejo de receber prazer. Como conseqüência, um novo quadro da realidade emerge. Assim, se ficarmos aquém de nos sintonizar corretamente com a espiritualidade, podemos gastar anos sem sentir um avanço.

Brincadeira Prática

Laitman_195Fui emboscado em minha pele que me corta do Criador que está situado “do lado de fora”. Eu sou um escravo e não posso fugir. A cada instante, uma força me influencia e automaticamente me devolve ao meu eu, ao centro egoísta.

Como forçar a mim mesmo a ter atenção ao que está acontecendo do lado de fora para entender que também está acontecendo em mim? Minha verdadeira realidade está “fora”; lá, eu estou junto com o Criador; lá, eu estou fora do meu animal; lá minha alma está fora do “eu” egoísta, que atualmente eu imagino como eu mesmo.

Essas são as duas forças que atuam na natureza. Eu preciso organizá-las de tal modo que a segunda força (centrífuga) me influenciará da mesma maneira natural, instintivamente e inevitavelmente, assim como a primeira força (centrípeta). Deixo que ela ocupe minha mente e coração e remova à força. Deixo que me force a pensar sobre os outros e a me preocupar com eles. Eu preciso disso desde que esse é o único jeito para encontrar minha alma.

Nesse aspecto, a força de um grupo Cabalístico me ajuda; somente o grupo pode me convencer a sair do meu círculo e voltar minha atenção para o que está “fora dele”. Quando eu mudo minha atitude de “intra” para “extra”, eu paro de me preocupar com meu corpo e começo a me preocupar com minha alma.

Eu compreendo que a realidade externa, que me parece estranha e a qual sou completamente indiferente, contém o meu eu real. Esse círculo externo é na verdade muito mais valioso para mim do que o interno uma vez que ele contém minha alma que é eterna. Enquanto isso, o círculo interno é meramente animal, e dura uns 70 anos.

Porém, o encobrimento não me permite ver tudo isso. Quando eu começo a perceber isso, eu fico impressionado com o tamanho do jogo que o Criador joga comigo.

O Mundo Espiritual Está Acima da Razão

Laitman_184Shamati, Artigo 86: Existe uma grande regra que precisamos saber. Nosso trabalho, que nos foi dado para ser a base da fé por cima da razão, não é porque somos indignos de um nível mais alto. Então, isso nos foi dado para que o tomemos todo em um vaso de fé. 

Vivemos em um mundo que percebemos através de nossos sentidos e avaliamos no nosso cérebro. (“coração e cérebro”). Esse tipo de percepção é chamado “razão”. “Razão” significa que reconhecemos e sentimos algo que “entra” em nossos sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato) e que constitui “nosso mundo”. Nós percebemos o todo através de nossos cinco sentidos.

Qualquer coisa que sentimos é chamada “dentro da nossa razão” e corresponde às nossas sensações e observações. O mundo espiritual é algo “acima da razão” uma vez que somos incapazes de senti-lo e assim não podemos percebê-lo (nem no coração nem no cérebro nem em nossos órgãos de percepção). Para começar a perceber a espiritualidade, temo que obter novas propriedades (desejos) que correspondam ao seu nível: um “coração espiritual” e um “cérebro espiritual”.

De acordo com o tipo de percepção, a realidade está dividida em duas partes: o setor interno (eu) e o setor externo (o mundo fora de mim). Dirigidos pelo desejo de receber prazer, nós percebemos as influências interiores e exteriores seletivamente. Essa percepção seletiva constrói um quadro que é chamado “meu mundo”. 

A divisão da realidade em duas partes se origina na separação da alma em duas partes: Keter, Hochma (GE) e Bina, Zeir Anpin, Malchut (AHP). Antes que a separação acontecesse, todas elas constituíam os cinco desejos da alma, cinco Sefirot. Como resultado da separação, nossa percepção do mundo foi dividida em duas partes: GE (Galgalta Eynaim – crânio, olhos) formaram nossos desejos internos através dos quais nós sentimos nosso mundo e a nós mesmos, enquanto que sentimos AHP (Awsen, Hotem, Peh – ouvidos, nariz, boca) como algo “fora de nós”.

As coisas estão arranjadas dessa forma de propósito. É para nos dar a chance de trabalhar em GE “com a razão”. Porém, se escolhemos trabalhar com AHP, tratando-os como nossos próprios desejos, nós alcançamos o estado chamado “acima da razão”. Nossa “razão” é alto que existe dentro de nós, enquanto que “acima da razão” significa algo fora de nós.

Se quisermos alcançar a espiritualidade, temos de nos conectar com os desejos AHP dentro de nós; quando o fazemos, isso é chamado “trabalho acima da razão”. Na realidade, esses termos são simplesmente palavras que usamos para descrever nossa atitude frente a nossos desejos, internos e externos.