Página Diária 24.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português. 

O Foco no Mundo Espiritual

Enquanto estudamos O Zohar, nós não estamos tentando explicar todos os fenômenos que estudamos; pelo contrário, queremos sentí-los. Como é possível explicar algo que a pessoa não sente ou vê? É por isso que nós só estamos falando sobre o esforço que a pessoa faz quando quer alcançar algo que ela não sabe, vê ou entende, mas faria qualquer coisa para se aproximar disso.

Eu estou ensinando vocês a focarem o mundo espiritual. Quando vocês adquirirem a visão espiritual, vocês sentirão, e depois vocês também entenderão. Este é o significado do versículo, “Um juiz tem somente o que seus olhos vêem”. Qual é a razão para tentar memorizar os nomes se vocês não sabem a que eles se referem? Agora nós estamos aprendendo a realizá-los, porque a realização é quando vocês sentem alguma coisa com clareza absoluta em todos os seus sentidos e coração. Vocês existem nela, estão completamente imersos no mundo espiritual, e realmente tornam-se um com ele.

Nós estamos falando sobre como adentrar a sensação de um mundo novo, como um bebê que está começando a perceber o mundo de forma simples e natural. No início, nós não explicamos nada para o bebê. Primeiro, ele deve ser preenchido com várias impressões sobre o nosso mundo e, em seguida, ser capaz de diferenciar entre qualidades diferentes (frio versus calor, luz versus trevas, duro contra mole); ele começa a moldar uma mente que entende ao que deve aspirar e do que deve se afastar. Ele começa a discernir o que é agradável e desagradável, o que é bom para ele e o que é ruim, o que é verdadeiro e o que é falso, o que gosta e o que não.

No entanto, no que diz respeito à espiritualidade, tudo isto surge somente depois de termos revelado um fragmento do Mundo Superior em nossas sensações. Neste momento, nós desejamos alcançar essa revelação, e por isso não queremos explicar o que está dentro dela; nós só queremos facilitar essas novas sensações em nós.

Nós temos que “desfocar” a nossa visão de mundo e deixar de vê-lo, para começar a ver através de um novo foco, concentrando nossa atenção em outra coisa. É como as imagens tridimensionais, que primeiro surgem como um conjunto caótico de formas desordenadas. Mas, se você mudar o foco de sua visão e parar de se concentrar na superfície da imagem, se você tentar olhar dentro, sem focar a imagem em si, mas, propositalmente, penetrar no interior – então você começa a percebê-la. Nós devemos fazer o mesmo esforço – porém através dos sentimentos, em vez da visão – quando lemos O Livro do Zohar; então, através das sensações deste mundo, sentiremos o Mundo Superior.

Nós devemos tomar a forma como vemos o mundo e, intencionalmente, “quebrar esse foco”. Não ver este mundo, mas sim concentrar-se num ponto completamente diferente, focar a nossa atenção sobre ele e começar a ver através dele. É como as imagens tridimensionais: quando você olha para elas, primeiro você não consegue ver nada. Mas quando não olha para a superfície da imagem, e vai além, como se quisesse olhar para dentro dela, então o foco não se concentra exatamente na imagem em si, mas é como se ele penetrasse dentro; em seguida, você começa a ver. Durante o estudo do Zohar nós falamos apenas sobre este esforço. 

O Ponto de Entrada para a Realidade Espiritual

O Baal HaSulam escreve que “Não há nada mais elevado do que a verdade e nada mais baixo do que a falsidade”. Mas como podemos saber o que é a verdade e onde encontrá-la? As coisas só parecem verdadeiras em nossa imaginação e fantasia, mas nós sabemos que tudo aquilo que parece verdade hoje se tornará mentira amanhã. Isso acontece porque os nossos desjos mudam, e quando isso acontece, todos os fatos que percebemos, também mudam. Como a matéria muda, a forma que estava presente na matéria ontem já não é visível para nós hoje.

Acontece que hoje nós operamos de acordo com a forma revestida de matéria, e consideramos isso como verdade. Mas amanhã, nós iremos descartá-la e diremos que foi uma mentira, dependendo do que veremos amanhã. Nós sempre temos que agir com base no desejo, e na forma com a qual ele está revestido durante o momento que estamos nessa forma. Nós não nos importamos que costumávamos pensar de maneira diferente que há cem anos atrás, e que pensaremos de maneira diferente daqui a duzentos anos. Tudo será novo, teremos uma nova vida, um novo céu e uma nova terra. No entanto, hoje temos que tomar todas as decisões baseadas nos fatos atuais.

Disso resulta que não temos o direito de julgar os outros – aqueles que estão acima ou abaixo de nós. Como podemos julgar alguém num nível abaixo de nós se ele ainda não foi corrigido? Afinal, ele tem razão em relação à sua posição.

Todos os erros, problemas e punições são dados a nós, a fim de nos “entulhar” numa forma revestida de matéria, para que não nos separemos da matéria e nos envolvemos no raciocínio abstrato. É extremamente importante manter isso em mente ao estudar O Zohar. Afinal de contas, O Zohar destina-se a nos levar ao mundo espiritual, e nesta área nós somos muito tentados a ceder às fantasias e misticismo. O nosso corpo realmente deseja isto, pois dessa maneira ele sentirá menos sofrimento.

Nós devemos nos esforçar para manter os pés no chão dentro do âmbito da matéria. Ao fazer isso, nós estaremos realizando uma correção. Nós devemos inserir a forma de doação em nossa forma egoísta de recepção, mas elas não se encaixam uma dentro da outra, elas são totalmente opostas e, portanto, a nossa tarefa é extremamente difícil!

É por isso que O Zohar se esforça esforço para ser vigilante em relação ao que está acontecendo conosco, e que formas estão revestidas em nós. Afinal de contas, através da separação da matéria, nós podemos imaginar que já estamos no mundo da doação e do Infinito. 

Será o Meu Próximo Nível a “Forma Extraída da Matéria”?

O meu próximo nível é descrito como aquele oposto a mim. Como eu o descrevo e o sinto, é uma forma extraída da minha matéria. Eu não posso revestí-lo, eu não quero revestí-lo, mas o trato como algo desejável. Na materialidade eu posso imaginar que já estou corrigido, que sou como isso ou aquilo, mas quando estou na espiritualidade, eu não consigo me imaginar no meu nível superior, porque sou repelido por ele. O Elyon (Superior) está oposto a mim, Ele me mostra como devo doar. Mas eu não quero doar, é uma forma que eu não desejo receber.

Portanto, na espiritualidade não há perigo de que eu caia nas mãos da minha imaginação, porque quando eu alcanço o nível superior, eu já estarei em sua forma. O Elyon me apresenta o nível superior em oposição ao meu estado, à minha matéria, e ele me parece como a escuridão. A partir deste momento, eu só devo me esforçar dentro do grupo, conectando desejos adicionais. Quando eu conectar vários desejos adicionais, o Elyon já não parecerá oposto a mim; então, eu já solicitarei correções adicionais à Luz que Reforma. Eu não posso subir ao próximo nível a menos que eu adicione desejos desconhecidos para mim, que serão como meus, e neles eu revelarei o próximo nível, a adição.

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